Violência contra a mulher: eu vou ligar no 180

Violência contra a mulher - Elza Soares

A mulher tem que denunciar. Não existe mais isso de apanhar calada, pelo amor de Deus! A denúncia está aí, o 180 (telefone de ajuda à vítima da violência) está aí, a boca está aí para gritar. Vamos gritar nas horas ruins e gemer só na hora boa!”E.S.

Nessa semana, em que fomos todas impactadas com tantas notícias sobre violência contra a mulher e impunidade, só consegui pensar em um nome: Elza Soares.

Dona de uma voz extraordinária, rouca e potente, Elza Soares leva na sua voz mais do que beleza. Ela leva as cicatrizes de várias violências, desde a fome e pobreza estremas vividas na infância, o casamento forçado aos 12 anos, o segundo casamento recheado de violência doméstica com Garrincha, até a morte de quatro, dos seus sete filhos.

Ela, assim como eu e talvez como você, sabe como ninguém que o simples fato de ser mulher nos torna socialmente vulneráveis. As leis não nos favorecem, somos sempre o elo frágil, mesmo que na situação sejamos a vítima.

Somos muitas vezes vitimas de homens, mas nunca a responsabilidade é nossa.

Não existe querida leitora como uma mulher que sofreu agressão, física ou psicológica, ser responsável por isso. Ninguém pede para ser estuprada, ninguém pede para apanhar, ninguém pede para receber semem no pescoço para um desconhecido dentro de um ônibus lotado, ninguém pede para que o motorista da vez introduza nenhuma parte do corpo dele no seu, sem sua autorização.

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Não existira situações de risco como essas se homens não nos atacassem, não existiria situações como essas se muitas vezes nós mulheres também não defendêssemos o “Ah, com essa roupa ela estava pedindo”.  É hora de parar, repensar e cuidarmos umas das outras.

Como podemos no dia a dia mudar  em 5 passos:

1: Tire do seu vocabulário pra sempre a frase “Ela estava pedindo”, seja depois de saber que a mulher estava sozinha, bêbada, tentando reatar com um ex-parceiro ou presa de alguma forma à um relacionamento ruim.

2: Não repasse nas redes sociais ou whatsapp vídeos de violência contra a mulher, você não estará a ajudando apenas irá expor para um numero ainda maior de pessoas a violência contra ela e assim a ferindo ainda mais. Ou seja, mesmo com a melhor das intenções, você se tornará cumplice.

3: Seus amigos riem de situações que humilham e degradam física ou psicologicamente outra mulher? Fale para eles que isso não é engraçado. Tente conversar se houver abertura e caso não exista vale repensar se você quer ter essas pessoas próximas à você. Hoje outra é o alvo, amanhã pode ser você.

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4: APÓIE mulheres vítimas, você não precisa oferecer soluções, muitas vezes elas estão fora nas nossas mãos, mas você oferecer seu apoio, ouvir e deixar com que ela saiba que não está sozinha pode ser o primeiro passo para que ela se fortaleça e seja capaz de um próximo movimento para se libertar.

5: Ligue 180. É um processo difícil, como toda a situação de violência é, mas é a primeira e principal forma de denunciar e fazer com que o ciclo de violência reduza. Quando sofremos caladas, apanhamos caladas para o mundo é como se nada nunca tivesse acontecido.

Está mais do que na hora de mudarmos as estatísticas e exigirmos que as leis se atualizem, que o sistema nos acolha e proteja. Está mais que na hora da nossa voz seja ouvida. GRITE!

Hoje, com 87 anos neles mais de 60 de carreira, Elza Soares que veio “Do planeta Fome” leva na música “Maria de Vila Matilte” também a minha voz:

VOCÊ VAI SE ARREPENDER DE LEVANTAR A MÃO PRA MIM

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