Transando com "gente feia"

transandocomgentefeia

É exatamente assim que eu e mais de 80% do mundo se sente, isso graças a uma parcela generosa de pessoas que acredita que só “os bonitos vão para o céu”!

Falávamos de transar com “gente feia”, certo?

Nesse post eu vou me chamar de feia, pelo simples fato de ter passado minha vida inteira acreditando que eu fosse.  De todas as adolescentes da escola,  eu era a mais frustrada emocionalmente. E não era pra menos. Vocês, amigos nascidos nos anos 80, sabem muito bem do tipo de bullying que sofríamos a 20 anos atrás. – “Mas Camila, você não é exibicionista e fala tanto sobre autoconfiança?” – Pois é meus amigos, na prática a coisa muda.

A culpa de ninguém querer transar conosco, “os feios”, é também de nós mesmos. Nós também vamos atrás de um ideal de beleza que não existe, ou vocês casais experientes no meio liberal, nunca ficaram andando igual um “zumbi” durante toda uma noite atrás de casais e singles em casa de swing, achando que todo mundo era “feio”, “velho” e “gordo”? Aposto que foram frustrados para casa ou resolveram encarar uma cabine apertada e bem suada da noite toda, para transarem e dizerem que a noite estava ganha. Acertei? Isso sem contar a quantidade de casais que deixamos de conhecer em redes sociais ou porque o marido não agradou, ou porque a mulher não faz o “tipo”…

Isso só aconteceu e acontece constantemente porque a maioria das pessoas escolhe pelo que vê. Igual você comprando aquele doce lindo, cheio de cores e geléia de brilho na padaria, mas que quando você experimenta pensa: Droga! Porque não peguei a carolina*?

O que aconteceu com as pessoas que gostavam de conversar? Agora é só sexo pelo sexo?

Em uma de minhas palestras, recebemos um homem maduro que ainda estava querendo entender melhor o universo liberal. Durante a explicação o usei como exemplo. Se muito provavelmente no começo da Voluptas ele tivesse enviado a foto na inscrição, eu veria a foto e diria: -Não faz meu tipo! – Pessoalmente, hoje, eu com certeza embarcaria em um ménage de tirar o fôlego com ele, isso porque somos muito mais do que uma pose fotográfica pode mostrar. Somos um conjunto de formas, cores, sorriso, olhar, cheiros e expressões que nos formam quem somos. Entenda por gentileza, não estou dizendo que devam transar com quem não se atraiam fisicamente, não é isso. Não vamos abrir uma ONG do sexo para ajudar os menos favorecidos, ok?

Veja também:  Manifesto da Poesia Meta-física

Eu aprendi a aceitar minha beleza como ela é e aproveitá-la como ela merece! Eu realmente me desvio de casais e singles que curtem pessoas malhadas, dando preferência para aqueles que curtem uma mulher GG. Isso se chama autovalorização! Mas isso não impede que façamos amizade com eles, certo? Swing não é obrigação! Estar ao meu lado não significa ser obrigado a interagir comigo.

Estou dizendo que você pode ir em um lugar, conversar com pessoas, absorver suas histórias, dar risadas, dançar e a noite será boa também. Antes do meio liberal o que vocês faziam para se divertir? Não era um bar ou churrasco entre amigos e a noite estava boa? Não pode continuar sendo assim? Não precisa ter sexo toda noite. E se não precisa, porque então evitar de conhecer algum ambiente legal e diferente, ou pessoas diferentes?

Não evitem os feios! Conheça-os! Me conheça!

Parece agressivo eu deixar tão claro a diferença de beleza e o perfil das pessoas, mas é necessário e vocês entenderão o porquê. Eu realmente tive que fazer um post dedicado à isso pois infelizmente algumas pessoas não entenderam muito bem o conceito da Voluptas. A Voluptas não é uma casa de swing e não é um catálogo de pessoas. É uma sociedade anônima e secreta que recebe pessoas com suas milhares de particularidades. Minha experiência longa de meio liberal me ensinou que padrões de beleza destroem potentes ideais de cultura. As pessoas mais interessantes que eu conheci, assim como eu, são as mais analisadas em uma pretensão sexual liberal. A sensação é que temos que convencer as pessoas a transar conosco por outras qualidades que não nossos membros e partes.

Um casal deixou de ir em dois de nossos eventos por dois motivos que eu achei muito deselegante. Em um evento eles deixaram de ir porque eu não respondi se em nosso meio todos eram magros, jovens e bonitos. No segundo que eles não foram também, (até desconfio se iriam mesmo, ou se só fizeram isso para dar a sensação de estarem por cima), a justificativa por não terem ido foi a quantidade de casais. Estávamos entre 16 casais e 3 Singles, totalizando 35 pessoas de altíssimo nível cultural. O argumento? Seriam “poucas opções para se transar” (sic)!

Veja também:  Fake news e a pornografia

Exato; nós fomos riscados da lista perfeita deles.

… (silêncio, respiração profunda e continuemos com um mantra )

Poderíamos ter nos conhecido, conversado e a noite teria sido com certeza para eles tão agradável como foi para todos nós! Parece exagero fazer um post para falar disso, mas é necessário que entendam de uma vez por todas que o meio liberal não é uma válvula de escape ou um submundo ao estilo **Albergue. Estamos falando de pessoas!

Alguns membros me perguntam, ou quase todos, se eu me inspirei no filme “De olhos bem fechados”. Digamos que o ideal é bom, mas não cultuamos a beleza de “mulheres deusas do sexo”. Simplesmente fazemos encontros secretos para pessoas que querem transar mas também fazer amigos. Somos pessoas livres que adoramos a liberdade que podemos exercer. Isso inclui o desprendimento dos padrões de beleza que nos cercam em nossa vida fora do meio liberal. Sim, dentro do meio eu me sinto livre!

Eu tomo banho na frente de 50 pessoas em uma festa liberal e me sinto atraente, desejada, porém mal consigo ir em um churrasco de amigos, sem ficar puxando minha blusa para tampar a barriga, resquício da minha gravidez. Contraditório não? Afinal, aquelas pessoas não estão ali para ver minha barriga. Mas é esse “maldito” padrão Instagram de viver.

Viva sua vida e seu corpo! Ele também vai passar. Qual alternativa que você tem senão viver bem dentro de você?

Uma Volúpia intensa para vocês!

*Doce tradicional vendido nas padarias de São Paulo
**Um thriller de terror de Eli Roth

comentários

  1. Realmente otimo texto , é como vc sentar acima da massa e analizar apenas o que agrada os olhos ... e penso eu como seria transar com alguem que saiu apenas pela beleza e o pós sexo o feeling a conversa o flerte jamais sai com uma mulher apenas pelo sua beleza fisica ... e outro dia estava a conversar com um casal e ja indo pra trocar fone e marcar eu disse que era careca e raspava a cabeça e o cabra disse que nao iamos adiante pensei poxa que alivio ser careca e me livrar desse casal . Enfim parabens a sua análise seus pensamentos !!

  2. Parabens pelo artigo,gostei muito

  3. Primeiramente Parabéns pelo texto foi uma ótima leitura pra mim, um texto verdadeiramente verdadeiro hehehe. Espero em breve ter leituras boas como essa grande abraço e tudo de bom sempre.

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *