Squirting como metáfora política

Squirt
“Eu quero é botar meu bloco na rua.”
Sergio Sampaio
“gasolina gasolina neles gasolina gasolina gasolina neles!”
Teto Preto
Feliz dia do orgasmo para tode comunidade LGBTTQI
#foratemer

Necropolitica x Ecosex  

Estamos em guerra! O plano utópico já é mecanismo operacional a muito tempo. As  práticas de governo são práticas de agenciamento da morte. Usando o mínimo do homem, e o máximo do se tempo, não é só no fronte que a guerra opera. As tecnologias de governo são inaptas, ou absolutamente desinteressadas para o agenciamento da vida. A violência é a principal técnica de governo. E isso sequestra nossa sexualidade. Podemos dizer que o conjunto de técnicas de governo que tem agenciado nossas ficções políticas tem sido a guerra.

 Os corpos dissidentes e subalternos têm construído estratégias de sobrevivência ao longo da história do heterocapitalismo. Estão fora do conceito moderno de sujeito que é o corpo marxista heroico, autônomo e militante, mas branco, sem passibilidade de patologização física ou psíquica, que se auto determinam homens, heterossexuais, que moram nos centros urbanos, são escolarizados, estão empregados no proletariado ou seu oposto político que ocupam cargos de liderança, possuem automóveis e cartão de crédito.  São corpos vulneráveis que só se constroem através da relação. “Nós” nação ocidental é uma identidade  coletiva de sujeito construída através do genocídio indígena. A revolução não é mainstream.

 Assistimos a arquitetura da necropolítica. A sexualidade e o gênero são espaços plásticos, no geral os vemos como naturais dados de uma vez para sempre, mas isso não é real, na realidade são invenções políticas e sociais construídas, as categorias de homem e mulher que temos foram recentemente inventadas na medicina do século XIX para normalizar a heterossexualidade e patologizar as demais formas de sexualidade, reduzindo o sexo ao ato da reprodução. É nesse momento que o leite passa ser um fluido que ocupa o lugar do privado, enquanto o sangue acessa a arquitetura do público, a porra feminina desaparece, e porra masculina ocupa a voz.

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O seio é pornográfico, mas a morte é espetáculo! Qual o lugar da guerra, qual o lugar da festa? A festa é uma tecnologia de inteligência social de resistência, não no sentido etimológico e das leis da física, daquilo que é mais forte que a outra matéria e resiste, mas de um ryzoma de comunitarizas, que opera como território efêmero para criação de cultura; não existe cultura sem território. Qual o lugar do corpo na transformação das relações? O distanciamento entre o corpo que morre e o corpo que mata, entre os corpos que gozam? Drone e internet! O lugar da guerra e da festa, é a leminiscata entre Eros e Thanatos.

 A descrição dos corpos são ficções políticas. São resultado da produção do imaginário. As noções de heterossexualidade, transsexualidade, masculinidade, feminilidade são ficções políticas vivas. Um grupo de tecnologias de controle da subjetividade é terror de ficções políticas. Seria possível pensar corpos que  surgiram fora do contexto de dominador? Que tipo de território permite a fecundidade antifascista? Em tempos de antropoceno, e corrupção dos valores da vida, propomos um diálogo entre a pulsão de vida e o estado de exceção. A mediação da festa e da guerra na sociedade do espetáculo. Como lidar com o espaço da guerra e da festa?

 Gozar apesar de tudo! Contra todas as violências que os corpos subalternos ao ideal de sujeito sofrem como prisioneiros políticos do heterocapitalismo, eles gozam. Escrevem seus gozos, escrevem seus corpos gozos na noite de festa. Vestidos de roupa de domingo insurgem, contra o sangue e a morte com seios desnudos siliconados celebrando a vida. O corpo diante da guerra, é um sinal de resistência. A vida nas telas, a indústria do hedonismo, menino Aylan Kurdi na capas de milhões de perfis de FB,  ilustrações do corpo que é invisível ou censurado a menos que seja consumível .

 Manuais de medicina recentes, datados do final dos anos noventa meio dos anos 2000 ainda separa a genitália feminina e os órgãos que compõem nosso aparelho reprodutor em duas partes primários e secundários. E secundários compreende o clítoris, e tudo que for considerado acessório para a reprodução. O que não é realidade, a perpetuação da espécie depende do prazer e as mulheres não estariam fodendo se isso não implicasse prazer. A única função do clitóris é fazer a mulher gozar. O orgasmo feminino é uma dívida histórica.

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 Eu acho muito importante falar em squirting como metáfora de guerra. Este corpo que ejacula, e fica pronto pra gozar novamente múltiplas vezes. Gozar e ejacular são fenômenos vinculados, todavia, distintos. O sexo tântrico sugere que o homem não ejacule afim de gozar múltiplas vezes; com a mulher não é bem assim. A ejaculação é um mecanismo repulsor para o sexo. O órgão feminino responsável pela ejaculação é a glândula skeene. O líquido expelido é PSA antígeno prostático e água. É possível ejacular em um copo e verá que a cor, o odor e o sabor da ejaculação é distinta da urina, uma cor embranquecida, sabor amargo e ácido, e um perfume que lembra entre urina e porra masculina.

 A ejaculação é um prazer indiscreto, é uma festa! Um novo passo penso para o corpo da mulher prática as masturbação como exercício, encontrar sua próstata, praticar sua ordenha,  fazê-lo em plena natureza. Encontrando -se com Gaia como uma amante, retribuindo sua energia de vida. Celebrando o corpo todo e seu arredor. Esse lugar da Terra mãe, e da mulher mãe, e da mãe com quem ama incondicionalmente é uma ficção que deve ser destruída. Trepar com a Terra é hoje uma das maneiras mais revolucionárias de colocar o corpo em embate. Deixar a pressão da água da cachoeira estimular seu clitóris, não contrair a vagina, abrir-se toda e empurrar o gozo, expulsar seus licores.

Usar as mãos desocupadas para estimular sua glândula skeene, relaxar e gozar, gozar, gozar! Ejaculando as coisas todas como uma metralhadora em estado de graça!

Feliz dia do orgasmo para toda comunidade LGBTTQI

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