Precisamos falar sobre cotas raciais, de novo, aham!

as cotas raciais precisam ser faladas sim

O assunto das cotas raciais já foi mais do que debatido em diversos meios de comunicação das mais variadas maneiras. Mas a questão aqui é que, quando um problema permanece, ele deve ser discutido e rediscutido à exaustão. Somente a informação é capaz de salvar, de transformar, de mudar, e sem ela se faz impossível transitar de uma realidade para outra, e isso tem que ser obra nossa.

O Brasil, apesar de ser um país diverso e miscigenado, ainda hoje, e talvez hoje, mais do que nunca, sofre com o racismo velado e o escancarado também. Com o avanço da tecnologia, as redes sociais se tornaram ferramentas fundamentais para que a sociedade pudesse ter acesso à informações que antes dependiam quase que exclusivamente dos comunicadores comuns como redes de televisão, por exemplo. O tema tem sido amplamente discutido nos últimos anos e merece nossa atenção por se tratar de uma política que garante a grupos específicos, classificados por etnias, vagas em instituições de ensino públicas ou privadas.

Problema antigo

Para a cotista, doutoranda em psicologia na Universidade de São Paulo, Viviane Pistache (36), a necessidade das cotas é algo simples: “A gente vive em um país onde a maior parte da história foi vivida em regime de escravidão. Então a gente vem com ¾ a história de atraso com relação a qualquer possibilidade de direito e a educação é um desses direitos ao qual nós fomos mais prejudicados”, comenta.

Atualmente, de acordo com um levantamento feito pelo portal de notícias G1, apenas 42,3% das universidades do Brasil oferecem algum tipo de programa voltado para atender às cotas raciais. Não é atoa que, segundo o último levantamento do IBGE em 2015, em cada 10 pessoas que ingressavam em universidades brasileiras, apenas 3 eram negras. Os números assustadores com certeza poderiam ser ainda piores caso não houvesse programas de cotas, isso porque o Brasil ainda é um país onde a desigualdade social é viva e pulsante.

Resistência às cotas raciais

Veja também:  Prazer anal, onde os héteros também tem vez

A resistência de muitas pessoas às políticas de cotas no Brasil é algo muito comum, e um dos principais motivos para isso é o ferimento da meritocracia, segundo a professora do departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, Márcia Lima: “A ideia de meritocracia é pertinente quando há plenas igualdades de condições entres os indivíduos. Sociedades extremamente desiguais, como o Brasil são marcadas por privilégios que colocam pessoas mais ricas em condições de vantagens”, analisa.

Então, o que nós vemos é que a necessidade das cotas é uma pauta urgente e precisa, sim, ser entendida e re-debatida sempre que possível, já que, quando se fala do não acesso à educação, também falamos de não acesso ao mercado de trabalho. Mercado este que, quando acessado pelos negros, ainda apresenta diferenças imensas, já que os brancos continuam ganhando muito mais do que os negros.

Prova disto é que a Oxfam,  entidade humanitária fundada no Reino Unido e hoje presente em 94 nações, fez um levantamento das desigualdades brasileiras e constatou que os negros em nosso país recebem metade do que os brancos e a igualdade neste caso levaria cerca de 70 anos. Ou seja? Precisávamos ou não precisávamos falar sobre cotas?

 

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *