Pornoklastia - Conheça te a ti mesmo

autoconhecimento

Meu nome é Sue Nhamandu, sou professora de filosofia há 13 anos, performer e ativista transfeminista pró-sexo. Atualmente eu sou uma das co-organizadoras do II Festival Internacional de tecnoxamanismo juntamente com Fabi Borges e mais uma galera maravilhosa. E sou a criadora do conceito de pornoklastia que é um neologismo que encerra em si uma prática política, pedagógica, performática e filosófica.

Pornoklastia é um resultado dos estudos em Foucault que venho fazendo, desde “As palavras e as Coisas” até a “História da Sexualidadee mais especificamente “A História da Sexualidade III”, que chama cuidado de si. Eu faço um caminho que o Foucault não percorreu. Ele vai até o Artemidoro, que é um onirocríta do mundo grego, o mundo grego pré curral dos protótipos do mundo ocidental. E eu vou para o Platão das agraphas dogmatas, que é o Platão das doutrinas não escritas, que vai falar justamente do amor como philia. O conceito de amor como philia que é o amor como amizade, o que era muito conveniente para urdidura do conceito de pornoklastia. Aí eu vou trabalhar com o Thomas Kuhn, por Giovanni Reale, nessa leitura do Platão das doutrinas não escritas.
Ele, Thomas Kuhn, recorre ao conceito de estrutura das revoluções científicas e de paradigma para explicar a mudança de perspectiva na abordagem platônica. Isso é muito interessante para fomentar o passo seguinte da pesquisa do conceito de pornoklastia, onde eu vou trabalhar o conceito de heterossexualidade como ficção, da Monique Wittig, o conceito de gênero como performatividade de Judith Butler e o conceito de contrassexualidade do Paul Preciado.
A estrutura das revoluções científicas e de paradigma é muito interessante para fomentar os discursos de sexo como máquina de guerra, justamente para apoiar discurso biológicos contemporâneos como o da Anne Fausto Sterling, que vai garantir o direito do corpo hermafrodita. Ela escreveu um artigo maravilhoso que se chama  “ Os cinco gêneros”,  que vai falar dos herms, merms e ferms, que são três tipos muito comuns de corpo hermafrodita. Um em cada 1500 bebês é hermafrodita, ou seja, o binarismo de gênero tem sido responsável pela castração e harmonização de um a cada mil e quinhentos bebês por questões estéticas e políticas, muito mais que científicas, médicas ou biológicas.

Veja também:  Vaginismo: você conhece essa doença?

Dentro dessa perspectivas nós chegamos nos laboratórios de siririca molhada, que são laboratórios de masturbação pró squirting. Então eu convido as pessoas para vestirem uma luva, colocarem a mão na minha próstata e descobrirem qual é a maneira mais interessante de encontrar aquilo que foi chamado de ponto G, glândula skene. Essas são formas dentro do texto de “As palavras e as Coisas” onde Foucault  que analisa o discurso como opressão, como formas de dizer que o prazer da mulher é pequenininho.
Se formos parar para pensar que o clítoris, por exemplo, aparece do Gray’s Anatomys de 1900, e desaparece de 1949, justamente essa anatomia que parece ser tão minúscula, um “pequeno pênis” do lado de fora e é enorme do lado de dentro. Então como metáfora política eu convido as mulheres a descobrirem como encontrar a minha próstata, que é uma glândula que tem entre dois e cinco centímetros, que aumenta de tamanho quando você está excitada e que expele o líquido que é chamado de squirting. Convido as pessoas interessadas nesse diálogo inter-corpo a me permitirem mostrar onde fica a delas e aí nós desenvolvemos os laboratórios de siririca molhada.

Veja também:  Vamos falar de sexo

Dentro do curso de pornoklastia o quarto passo são os laboratórios de performances pós pornográficas que trabalha com um espaço onírico, feérico, que é uma influência do trabalho da Fabi Borges com a pesquisa que ela faz com sonhos,  que está muito vinculado com a pesquisa do Foucault  e o onirócrita Artemidoro. Eu vou trabalhar o campo do estímulo do universo performático através dos sonhos, o que me permite também cartografar os sonhos eróticos da contemporaneidade. Esse espaço performático se alastra nas minhas próprias performances pós-pornográficas, que eu tenho realizado em várias situações, como a de apagar a palavra golpe com meu squirting na esquina da Gentil lá no Rio de Janeiro.

A propósito, primeiramente Fora Temer, até as performances digitofágicas  que são performances online onde eu tenho estudados as infinitas implicações da multiplicidade da identidade dentro das redes sociais, num projeto que chama Ydentydade Hacker, e os fluxos de informação gerando a viralização e a viralização dentro dos fluxos de informação. É um projeto de ativismo, transfeminismo hacker de mídia tática que é bastante influenciado pelo trabalho da Giseli Vasconcelos. É um trabalho também de formação de rede, que também é um trabalho de teatro hacker, é um hackeamento do tempo das pessoas através de performances digitais. Isso é influenciado também pelo trabalho do Pedro Paulo Rocha .

É nesse caminho eu tenho convidado as pessoas a fazerem o curso de pornoklastia e conhecerem um pouco mais sobre isso. E a conhecer o próprio corpo e tentar descobrir as formas mais interessantes de saber como nós realmente somos anatomicamente e a refletir sobre a normatização do que se convencionou a chamar de amor, chamar erotismo, numa iconoclastia da pornografia: pornoklastia. É isso!

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *