Por que as preliminares não são uma prévia do ato sexual

preliminares

A internet é um mar de informações. A maioria sem fonte, mas cheias de certezas absolutas. Entre os temas, o sexo é a praia que mais dá onda. Usei as redes sociais para descobrir o que as pessoas pensam sobre preliminares, mais especificamente o que elas entendem por preliminares. Na Wikipédia (sim, ela mesma), achei um artigo que traz uma versão bem reducionista das preliminares: algo que faz parte do ato sexual com o intuito de alcançar a satisfação mútua. Mas se faz parte do ato sexual, porque raios chamamos de preliminares?

Dei um mergulho mais profundo no desconhecido planeta dos “conselhos sexuais da internet” e cai em sites cheios de dicas de como homens e mulheres deveriam agir nas preliminares. Aquele papo de como atiçar, estimular e enlouquecer o parceiro antes da transa em si. É como se as preliminares fossem alguma prévia do que está por vir. Como se a penetração fosse determinante para dizer se houve ou não sexo. Como se alguém com a língua no seu genital já não fosse sexo, ou como se permitir que alguém estivesse esfregando a cara nas suas partes íntimas já não fosse um sinal de estar entregue à situação.

Veja também:  KÓSMO - Um encontro com o Prazer e Autoaceitação

A verdade das preliminares é a reciprocidade. Ambos estão explorando o corpo um do outro, descobrindo o que dá prazer. Não é sobre esquentar relações, ou fazer o parceiro ou parceira pegar no tranco – como li em muitos textos. Em alguns momentos, parecia que as mulheres eram carros antigos movidos à álcool e por isso precisam de aquecimento em manhãs frias. “Precisa fazer pegar no tranco”, “o motor precisa aquecer”, “isso demora um tempo” foram alguns dos jargões que li na internet – e ouvi em oficinas mecânicas.

A intimidade e o desprendimento de pudores na cama – na rua, na chuva ou na fazenda- , é que dão o tom de uma vida sexual ativa e viva. Isso inclui tudo o que não é penetração e ainda assim é sexo. Se você é um homem, não trate nenhum ato como restrito ao antes da penetração e nem como um estorvo na sua vida sexual. Caso você ainda não tenha conhecimento sobre zonas erógenas fora da região genital – ou não viu o episódio de Friends em que a Mônica desenha as regiões erógenas no corpo feminino -, eu listo aqui para você: pescoço, mamilos, parte interna das coxas e virilha.

Veja também:  8º Festival PopPorn traz workshops eróticos, mostra de filmes e debates sobre sexualidade

Sexo não é sobre penetrar. Sexo envolve todo o corpo e suas terminações nervosas. Do couro cabelo às pontas dos pés, é possível utilizar para dar e receber prazer. Sexo também não é moeda de troca, não é sobre lingeries novas e jogos de seduções hollywoodianos, não caiam nessa!

Darwin propõe que apenas indivíduos que se adaptem sobrevivam. Eu proponho que você aplique a mesma lógica na sua vida sexual. Deixe apenas aqueles que não colocam as preliminares como algo moroso e aqueles que não precisam de um manual de instruções maior do que os seus gemidos e as respostas do seu corpo.

Lembre-se que o clitóris é o único órgão do corpo humano cuja a única finalidade é dar prazer. E nem é preciso penetração para isso. Conheça seu corpo e explore o corpo da pessoa que está com você. Sexo é, antes de tudo, sobre prazer.

Um comentário

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *