Por que ainda dou biscoito recheado pra quem não merece?

biscoito

Ou  POR QUE AINDA DOU BISCOITO RECHEADO ARTESANAL PRA QUEM MERECE BOLACHA ÁGUA E SAL? (texto heteronormativo e bisexnormativo)

Assim, eu tô cercada de esquerdomachos (dos machos convencionais eu já me livrei, amém). Afinal, são 7 bilhões de seres humanos na Terra e se eu não puder ser só um tiquinho seletiva nesta existência…

TODOS os meus amigos e amantes héteros, bi e gays, tem ao menos 5 aspectos destes que a Jout Jout aponta. De brasileiros a espanhóis, de cubanos a árabes, de canadenses (pasmem!) a indianos, franceses a quenianos. De todas as religiões e outros sistemas de crenças, classes sociais, idade, etnias.

Convivo, os amo nos dias ovulantes, os odeio na TPM, sumo uns tempos quando vejo que tô começando a me apegar, sou cínica, irônica e eles nem percebem… Gozo de sua presença, tento relevar certas coisas para continuar… convivendo. Dou biscoito recheado artesanal para alguns que mereceriam somente bolacha água e sal, porque gosto de dar linha para as pessoas se mostrarem como realmente são. Massageio seus egos frágeis e seus corações esburacados e aceito suas migalhas afetivas, que em geral é o único que eles tem para oferecer, simplesmente porque me sinto plena de amor próprio – a custa de terapias a roda de cachaça entre amigas e estas migalhas são até que docinhas?! Não dispenso “chocolate” por nada. 😉

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Cheguei à conclusão que vocês estão numa curva de aprendizagem na ponta inicial ainda, no be-a-bá e ainda assim se acham os fodões da desconstrução – ZZZzzz – que me resta e só posso falar por mim, ter a santa paciência, continuar convivendo, amando, odiando, sumindo, gozando, relevando, porque assim, a RESPONSABILIDADE pra despertar e tomar consciência das próprias cagadas é de vocês amigos.

No máximo eu vou dizer: “por aqui não, volta 3 casas no jogo da vida comigo” ou “não fode com minhas amigas, porque nos apoiamos entre a gente, seja responsável afetivamente pelas tuas merdas”.
E quando digo “eles” aponto a partir dos meus próprios filhos inclusive. E olha que me esforço pra que sejam minimamente diferentes da geração de esquerdomachos que aí estão fazendo estragos.

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No mais, este mundo foi construído para beneficiar tanto os esquerdomachos e machistas convencionais, com o qual todos estão aprendendo – no amor ou tomando na cabeça – que já não é mais possível tratar as mulheres como vocês vêm fazendo há uns milênios.

A nós, me parece às vezes, que nos resta quebrar muros aparentemente inquebrantáveis, chorar juntas, rir das merdas que fazem, nos curar por toda a vida, escutar empaticamente e seguir vivendo. Do jeito que dá e com vocês por perto, fazendo cafuné com compaixão muitas vezes.

Ah, o teatro da vida!

Grata Maria Ribeiro

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