Oscar 2018: a presença feminina está forte entre os indicados

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O Oscar 2018 acontece no dia 04 de março e esta edição promete ser histórica. Não só por termos tantos filmes incríveis nesta temporada, mas também por ela representar um período de mudança mais do que necessário.

Como os movimentos Me Too e Time’s Up vêm exclamando, o abuso dentro de Hollywood está cada vez mais exposto para que o mundo possa ver quantos casos saíram impunes por anos (ou até mesmo décadas). Consequentemente, tais movimentos estão ajudando a tornar este tema cada vez mais regular na mídia, trazendo a relevância e o espaço necessários que há muito já deveriam ter recebido.

Com isso, a presença feminina no Oscar (que há tempos não era tão forte como hoje) está com tudo na edição de 2018 – inclusive, trazendo feitos já considerados históricos que falarei abaixo. Diretoras, atrizes, produtoras e roteiristas concorrem a várias estatuetas douradas e, mesmo que algumas não conquistem os prêmios, é inevitável dizer que suas presenças entre os indicados já valem muito.

As indicações

Dentre as indicações femininas, uma que se destacou desde o anúncio da Academia, feito em janeiro, é a de Greta Gerwig pelo filme Lady Bird, que o dirigiu e também assinou o roteiro. Greta é a quinta mulher na história da premiação a receber indicação na categoria de Melhor Diretor – a primeira vez que uma mulher foi indicada foi apenas em 1976, com Lina Wertmuller por “Pasqualino Sete Belezas”, quando o Oscar já tinha 47 anos de existência. Lady Bird também foi indicado a Melhor Roteiro Original, Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Filme. Inclusive, o filme de Greta será o 13º longa a disputar a categoria mais cobiçada da noite do Oscar. Por mais que seja um grande reconhecimento, este número é exageradamente pequeno diante dos 90 anos que o Oscar acontece.

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Outro feito histórico é a indicação da diretora de fotografia Rachel Morrison por “Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi”. Rachel é a primeira mulher a ser indicada na categoria de Melhor Fotografia. A primeira em 90 anos de Oscar. Parece até brincadeira, né?

Mais uma boa notícia vem da área de roteiro: Virgil Williams é a primeira negra presente na categoria de Melhor Roteiro Adaptado por seu trabalho com Dee Rees em “Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi”.

Além disso, Meryl Streep recebeu sua 21ª indicação na categoria de atuação com “The Post”, e Agnès Varda, diretora de 89 anos com 60 anos de carreira, também conseguiu seu merecido espaço na premiação e conquistou sua primeira indicação ao Oscar com o belíssimo documentário “Visages, Villages”, co-dirigido com JR. Sua vitória está quase dada como certa.

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Mulheres no centro

Vale dizer também que, dentre os nove filmes indicados a Melhor Filme, cinco deles possuem mulheres fortes cujas histórias giram em torno de si mesmas: Lady Bird, The Post: A Guerra Secreta, A Forma da Água, Três Anúncios Para um Crime e Trama Fantasma (pode não parecer mas, existe, sim, um protagonismo dividido com Daniel Day-Lewis).

Portanto, não restam dúvidas: o Oscar 2018 será marcante e importante. Mas ainda mais importante que estas indicações é a força da presença feminina em diversos âmbitos da arte no dia a dia. Quem sabe o número de mulheres indicadas não possa dobrar na próxima edição, em 2019? Afinal, esta não é uma manifestação momentânea: a hora da mudança chegou. Um pouco tardia, mas chegou.


Barbara Demerov
Jornalista especializada em cinema, criou em 2015 o site Cinematecando, onde fala também sobre séries, games, literatura e teatro. Trabalhou como assessora na 41º edição da Mostra Internacional de Cinema / São Paulo International Film Festival, além de ter um canal no YouTube.

 

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