O reconhecimento do corpo após a maternidade

A relação que a gente tem com o próprio corpo parece que é sempre complicada, não é mesmo? Imagina durante esse período que é a maternidade e a pós...

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A relação que a gente tem com o próprio corpo parece que é sempre complicada, não é mesmo? Isso pra mim já é um ponto chave. Por quê? Começa que somos ensinadas a ver nosso corpo como algo sujo, intocável, que serve apenas ao prazer e subjugo do outro.
Se a gente é criança, mandam fechar as pernas como uma “mocinha”, mandam que não nos toquemos, que nos apaguemos. Se é adolescente, ouvimos e nos comparamos com mulheres inatingíveis que só existem mesmo em capa de revista e, depois de adultas, essas comparações continuam nos assombrando.
Assim como em todas as épocas da vida, na maternidade nos vemos comparadas a outras mulheres: elas são melhores mães que nós, elas são mais bonitas que nós e, o principal, elas são mais resolvidas que nós.
Ou, pelo menos, é isso que nós achamos. Achamos isso diante de uma imagem de mãe perfeita, incansável, assexuada e inofensiva. E essa mãe, assim como as artistas que acompanhamos pela tv e outros meios, continuam magras, com peitão e corpão após a maternidade.
Elas não mostram o baby blues (que, segundo a psicóloga Maria Cecília Mattos chega a 60% a 80% das recém-mães), não mostram as dificuldades para amamentar, para dormir, para olhar a barrigona flácida, não falam sobre o sexo pós-parto.
Sem contar com essas coisas, a vida já fica bem mais complicada com um bebê em casa. Tem dias que mal conseguimos tomar banho, quiçá olhar no espelho e gostar de si… Falta tudo pra reconquistarmos uma autoestima adequada: os hormônios estão em uma confusão imensa, o cansaço físico e emocional é gigante e na maioria das vezes, não temos o apoio necessário para enfrentar tudo isso.
E, nest período já TODO CAGADO, a gente ainda tem que lidar com um corpo que não se parece em nada com o corpo que a gente tinha: a barriga ainda cabe um bebê dentro, os peitos estão murchos e/ou cheios de leite, a libido quase zero, tudo fora do tal padrão que vendem para nós.

E aí?! Como lidar com esse corpo novo, a maternidade em si e o/a parceire?

O primeiro passo, acredito, é o mais difícil: a aceitação. Aceitar que, neste momento, nosso corpo serve a outros propósitos além do sexual, além do prestar-se ao olhar do outro. Neste momento, sobrevivemos e temos de nos adaptar aos limites que enfrentamos sozinhas e únicas. A auto-aceitação é difícil em muitos períodos da vida, mas após a maternidade, parece ser um dos mais desafiadores momentos.
Tem algo ali em estar cheirando a leite o tempo todo, trocar os dias pelas noites, em alimentar-se de comida fria que nos fortalece. E, nessa força é que devemos buscar nossa aceitação.
O segundo passo é encontrar no/na parceire um alento, o mesmo olhar de sempre, a compreensão do momento.
Essa parte é também complicada porque dependemos do outro, e sempre que dependemos de outra pessoa, complica o quadro.  O/a parceire precisa estar presente inclusive pra fazer com que você tenha tempo para olhar pra si.
Depois de um certo tempo do puerpério, conseguimos já administrar as novas demandas, provavelmente é o melhor tempo para você começar a lembrar de si mesma como a pessoa que você estava acostumada a ser. E existem hoje várias atividades que podem te ajudar a lidar melhor com você mesma após o bebê: aulas de dança? corrida? Alguma atividade física que te faça olhar pra si mesma com mais atenção? Você escolhe. Conte com sua rede de apoio (se você tiver) e busque se encontrar consigo mesma.
Se você não tiver uma rede de apoio (namorada/o, marido/a, avós ou avôs), que tal procurar atividades que você possa fazer com seu bebê? Tem Yoga, dança, cinematerna, qualquer atividade que te tire de casa e que faça você se olhar um pouco ajuda.
Outro passo importante é o seu reencontro com a sexualidade. Você não precisa ter pressa, esse reencontro pode acontecer aos poucos, pode ter seu/sua parceire, pode acontecer sozinha. Se já chegou nessa fase, que tal comprar um vibrador e começar a entender melhor seu novo corpo?
Aqui no Cínicas você encontra um guia pra encontrar seu vibrador perfeito. E, o mais importante mesmo: se respeite. Respeite sua história, seu momento, seu corpo. Não faça nada que você genuinamente não queira. Bata o pé pra que as pessoas ao seu redor respeitem você também, busque apoio em amigues de verdade, divida suas questões, mesmo que elas pareçam muito bobas ou demasiado difíceis.
E, se quiser contar com a minha ajuda, mande e-mail: annemeraki@gmail.com.
Até mais e um excelente dia das mães.

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