Dia dos Namorados: Afinal o que é Namoro?

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“Ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento… É arriscar, pagar para ver e correr atrás da tão sonhada felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.” Arnaldo Jabor (com alguma provável edição).

Achei acidentalmente esse textinho na minha caixa de recordações. E reler depois de tanto tempo me fez questionar tantas coisas, que precisei sentar a bunda na cadeira e escrever textão reflexivo com um tanto de história, pra ver se consigo cuspir tudo que me consome a mente, começando pelo ranço que tenho da palavra “namoro” e o como essa sensação dificultou a credibilidade que alguns dos meus relacionamentos deram ao que sinto e falo.

A palavra “namoro’’ originou-se no século XIII, da palavra espanhola “enamorar-se”, que pouco tinha a ver com o significado atribuído hoje em dia. Imaginem a Espanha no século XIII; ainda parte da Península Ibérica, cheia de territórios, cada um governado por um Rei, porque, sim, a vibe da época era a MONARQUIA, no período que abrangeu parte das cruzadas e da conversão dos muçulmanos ao cristianismo. Dá pra imaginar o que era ter um crush nessa época?

“Enamorar” era o simples ato de demonstrar interesse, que por sua vez era instruído pela forte presença da igreja ao casamento. Era tipo “oi, você convém, casei”. Então casamentos se davam por interesse, porque a igreja pregava isso. Se não era a igreja, eram os pais da “donzela” — orientados pela igreja. Tudo com um ‘’jeitinho’’, sacou?
Outro exemplo de “enamorar” era o “ Amor Cortês” derivado da cavalaria na Idade Média, que tinha a ideologia do “amor puro” e ensinava cavaleiros a cortejarem damas já casadas com senhores feudais. Sim, era uma “lição de casa” idealizar aquela figura casada, afim de entender o “modelo ideal de casamento/”amor ideal”/mulher”, além da pratica valorizar o ego do senhor feudal, chamando ele, em outas palavras, de “fodão, pegador”. Nesse período foi criado um código com 30 tópicos sobre “como amar corretamente”, que acaba influenciando relacionamentos até hoje em dia, como por exemplo:

  • Item 2 “quem não é ciumento, não sabe amar”;
  • item 14 “uma conquista fácil, torna o amor desprezível. Um majestoso edifício o faz desejável”;
  • item 15 “toda pessoa que ama, empalidece diante do amado”.
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Louco, né não?

A partir do século XIX o namoro já não era uma ponte pragmática para o casamento e a abstinência, mas o amor ainda era algo difícil, cheio de sacrifícios, usando do ciúme como prova de sua existência. Porém, a literatura mostra o ingresso do sexo nesse contexto romântico, ainda validando o namoro como função de reconhecimento social, de “ideal”, de ser “o melhor cortejo” e o sexo não reduzido ao ato carnal, mas estendido como a própria materialização do sentimento, de acordo com Luanna do canal “mulheres na história”.

Não sou historiadora (e nem precisamos pra buscar conhecimento!). Mas como o dia dos namorados tá aí, abro um convite para a gente repensar nesse sentimentalismo todo vinculado à imagem feminina, assim como a bagagem que a gente carrega sem perceber ao assumir namoros como aquele manual citado lá em cima, os planos a longo prazo, os motivos que nos fazem ser atraídas pelas pessoas, a ideia de que mulher tem que relevar tudo “porque é mulher” e bla blablabaoeuriewr. Pensar no que a gente projeta, o que a gente quer, nossos hábitos, mas principalmente, que é meu foco: sobre a liberdade diante de toda essa gente cagando regra que nem é tão funcional assim!

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Abro um convite pra gente quebrar esses arquétipos. Pra gente deixar de ver o outro como território, como meta, e passar a vê-lo como um ser inteiro. Como alguém que cresceu em outra realidade, mesmo que na mesma cidade, no mesmo bairro. Alguém com humor variado tanto quanto o nosso. Com desejos, com problemas, com outras expressões e demonstrações de afeto e que isso DEVE ser respeitado e trabalhado junto. Outras afinidades, outras coisas que fazem rir, que faz querer levantar da cama, outro paladar, outra linguagem,outra visão de mundo, de ideia, outra, outra, outra…Caso contrário, não existe compartilhamento, conhecimento um do outro, percebe?

Mulher, essa história de “ter que ser sentimental” também te irrita? Te faço um convite pra pensar que se a gente enquanto mulher, seja em qual relação for, não quiser brisar em sentimento, a gente pode não brisar em sentimento. Que se a gente não quiser namorar, não quiser ser linda, pra ser forte e competente, a gente pode, inclusive deve! E se no dia dos namorados a gente quiser abstrair e fingir demência assim como provavelmente fez o publicitário que inventou essa data pra ganhar dinheiro em mês que não dava lucro, A GENTE PODE!

Referências
https://www.youtube.com/watch?v=6KnRcLQufyo
https://www.youtube.com/watch?v=6F0tkkAnXwk
https://historiadomundo.uol.com.br/…/amor-cortes-medieval.h…
http://portais4.ufes.br/…/teses/tese_3986_Tatyana_Nunes_Lem…
https://www.gazetadopovo.com.br/…/resgate-do-legado-espanho…

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