O aniversário dos 23

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Três outros “ariano-demônio” como eu (no bom sentido, claro) comemoramos nosso aniversário em uma chácara, com mais uns quarenta amigos durante três dias. Em um desses dias, Eu estava em um desses redemoinhos de gente já “muito alegre”, pés descalços, abraço gostoso e risada, quando me aparece um tal amigo de um amigo. Ele só estava lá existindo, e eu lá existindo, e umas conversa existindo numas existência rápida.

Até que, eu estava sentada em uma roda de “crushes” maravilhosas, junto ao pessoal mais queridão, rindo das coisas absurdas que a gente aprontava, quando ao me levantar pra vencer meu próprio desafio de parecer sóbria, porque sim, sou fraca mesmo, me aparece esse amigo do amigo de novo. Parou na minha frente, em tom ‘’passivo’’ querendo só ‘’me dar uma ideia’’. Dizia que eu ‘’era muito linda’’ e que “ele achava esquisito eu não pegar caras”, afinal de contas, “é super massa pegar umas mina, tal, mas talvez a questão maior fosse, na moral, a má sorte de não ter achado um pau da hora”. Sim, uma mudança de clímax bem abrupta.

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Às vezes por passar mais parte do tempo com pessoas similares a mim, me pego surpreendida por pensamentos, como o desse cara, continuar fazendo sentido por aí. E pior, que ele tava no Ca* do meu aniversário. Bom, não sei, talvez o álcool, talvez o sol em Áries, talvez a broxada, mas respondi – falta de pau?.

E ele: é.. mas assim, to falando de boa”
E eu “Claro.. mas assim, pau mesmo né? Aqueles bem grande e grosso?”

Algumas pessoas começaram a se aproximar.

Continuei: Não, sério, sabe que talvez você tenha razão? Não gostar de homem tem absolutamente tudo a ver com falta de “pau”. Quer saber? Hoje é meu aniversário e eu quero resolver essa fita agora, junto com você! Vamos testar essa teoria JÁ.

Houve uma pressão machista por parte dos amigos dele e um certo desconforto e expectativa por parte dos meus. Ele enfim responde “Ah, demoro então”,  e veio na minha direção. Eu coloquei a mão no peito dele e disse “É o seguinte, eu vou ali no fundo da chácara onde tem uma vassoura. O cabo não é muito grosso mas ele é bem grande! Quando eu voltar, quero você já sem calça pra gente testar em você, quanto pau precisa pra sua teoria fazer efeito, fechou bonito?

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No calor do momento, as pessoas começaram a vaiar e rir  a ponto desse sujeito tomar outro rumo.

Sabe, esse dia me fez repensar a forma como trato algumas, e só algumas situações machistas. Talvez, de deboche absurdo, de reações improváveis como fez Débora Adorno com a “careta do dentinho”, ou o caso de uma mulher chamada Samantha, moradora lá da Inglaterra, que após classificar um restaurante  por uma rede social, recebeu uma mensagem de um desconhecido com a foto do pênis dele. Ela começou a debocha-lo mandando fotos de outros pênis com legendas do tipo “o meu é maior”, até o desconhecido sumir. Essas mulheres e esse aniversário, me fizeram pensar que num contexto onde a gente pode esperar de tudo e a qualquer instante, dar uma resposta eficaz se mostra, também, uma porta pra praticar a criatividade.

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