Não somos um objeto de desejo

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“Eu amo morenas/negras”
 “Nossa, eu sou encantado por mulher de cabelo cacheado”

Já perdi a conta de quantas vezes escutei (ou li) isso ao longo da minha vida. No começo eu ficava encantada e pensava “nossa, esse é diferente e não quer só mina padrão”, mas depois enxergava que era tudo ilusão! Mulher negra é geralmente tratada como um fetiche para homens brancos e nunca estive imune a isso. Hoje, quando eles falam que amam morenas iguais a mim, já corrijo para negras e sempre pergunto o motivo desse amor.

É aí que vem aquele momento decepção…

 O desejo por nossas bundas, o fetiche por nossa pele escura, a vontade de descobrir se de fato somos fogosas na cama. Sério, qual a necessidade disso tudo nos dias atuais? E os nossos sentimentos, nossos desejos, nossas vontades? Alguém lembra que somos gente, que isso continua sendo a velha exploração de sempre? Os elogios, quase sempre à partes do nosso corpo consideradas diferenciadas, são reflexos de uma sociedade doente que ainda nos enxerga como escravas sexuais dos senhores de engenho e isso precisa acabar!

“Não sou tuas negas!”

Essa é uma frase eu lia (e leio) muito e falava muito também, até que entendi o que ela de fato significa. Frase típica da sinhá que não quer ser tratada como nós somos; meros objetos de desejo carnal. Mulheres que são ideais para a cama e esquecidas para o relacionamento sério, pois não estão dentro do padrão imposto por essa sociedade doente, machista e racista. Então eu te pergunto; até quando você vai usar essa frase como forma de reclamação? Até quando vai replicar sem notar o peso que essa frase carrega consigo? Já olhou ao redor e viu quantas amigas negras solteiras você tem?

E você, mulher negra, sente e analise, como estão sendo seus relacionamentos? Com quem você está se envolvendo? Existe respeito, reciprocidade e honestidade? Pare agora mesmo de aceitar migalhas. Nós merecemos mais que isso, afinal, não somos um objeto de desejo.

 

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