A (nada fácil) vida sexual da mulher gorda

A (nada fácil) vida sexual da mulher gorda

O início da vida sexual (geralmente na adolescência) costuma ser um momento conturbado, cheio de dúvidas, inseguranças e medos. São hormônios, sentimentos, desejos novos que temos dificuldade de entender. Mas tudo bem, grande parte dos seres humanos passam por isso, então começamos a entender o que as vontades querem dizer, começamos a nos conhecer e querer conhecer o corpo de outra pessoa.

Porém, quando se está fora do padrão de beleza imposto pela nossa maravilhosa,a sociedade, quando não se tem um corpo julgado como perfeito, com uma vagina “linda”, uma bunda lisa, peitos consideravelmente empinados e uma barriga chapada, a tendência (e digo isso baseado na minha vida e nas minhas experiências sexuais) é nos reprimir e nos esconder logo de cara.

Perdi minha virgindade com quase 17 anos, não foi nada lindo, não foi com alguém que eu amava e foi bem fora do que eu havia pensado. Eu fiquei completamente vestida, abaixada e com as calças no joelho, na hora não acho que eu percebi o quanto isso poderia ser um problema no futuro. Fiquei com esse cara por um bom tempo, mas eu sempre queria transar de luz apagada e o mais tampada possível, mesmo que com alguma coberta. Além disso, eu não sabia falar muito sobre minhas vontades, afinal ele já estava fazendo sexo comigo, garota gorda, então tudo bem né, ele já era legal por isso.

Com o tempo a questão do meu corpo ~durante o sexo~ foi deixando de ser um problema pra mim, porém não para os embustes com quem eu me envolvi ao longo da vida. E eu percebi que me esforçava muito para agradar os boys lixo com quem eu ficava, como se precisasse compensá-los de alguma forma. E também comecei a notar que MUITOS CARAS queriam transar comigo, mas não queriam ficar comigo em público. EU TO FALANDO BEM SÉRIO!

Eu sei que muita mina, independente do corpo, já deu pro cara e o cara sumiu, não to desmentindo isso jamais, até porque boy lixo é boy lixo independente da deusa que tá com ele. Mas cara, eu via os trastes comentando o corpo de outras minas, eu via eles ZOAREM outras meninas, eu fiquei sabendo que um me empurrava pro outro (eu ficava com quem queria tava cagando se eram amigos ou não, eles viviam querendo minhas amigas). Eu os VIA E OUVIA falando das minhas amigas e do quanto pagavam pau pra elas e, cá entre nós, eu sempre fui a única gorda do rolê.

Então assim, eu DEMOREI PARA UM CARA#$*pra me soltar, me impor, me amar e me achar um tesão, afinal, os embustes queriam transar, então aproveitavam da minha baixa autoestima para me ‘conquistar’ e depois fingiam que nem me conheciam (não todos, but wherever).

Hoje eu MELHOREI muito em relação ao meu corpo, a minha sexualidade, ao meu tesão e tudo mais, se minha namorada (sou Bi e isso é assunto pra outro texto) quiser me iluminar com holofotes, eu deixo, porque além dela amar cada imperfeição minha, eu amo cada detalhe meu.  

 

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