Mulheres Revolucionárias: Maria Quitéria – A heroína da independência brasileira

Maria_Quiteria_de_Jesus

Maria Quitéria, também conhecida como a Joana D’Arc brasileira, foi a primeira mulher a entrar em combate pela independência do Brasil no século XIX, tornando-se a heroína da Guerra da Independência. Mas sua história foi marcada por um fato curioso: em um tempo onde mulheres possuíam ainda menos direitos que hoje em dia, ela precisou se vestir de homem para poder se alistar.

Nascida em Feira de Santana, na Bahia, ficou órfã de mãe aos 10 anos de idade e passou a ajudar o pai a cuidar dos dois irmãos mais novos. Não frequentou a escola – assim como muitas mulheres da época –, mas aprendeu a montar e usar armas. Em 1822, mesmo após a declaração da Independência, havia uma resistência portuguesa na Bahia, o que fez com que o Exército brasileiro realizasse campanhas para alistamento de soldados dispostos a lutar pela consolidação da liberdade brasileira. Maria Quitéria pediu permissão ao seu pai para se alistar, sem sucesso. Decidiu fugir para casa de sua irmã Tereza e de seu cunhado, José Cordeiro de Medeiros, que lhe arranjaram roupas de homem e ajudaram a cortar seu cabelo. Nascia ali o Soldado Medeiros.

Após se alistar, passou a integrar o Batalhão dos Voluntários do Príncipe, também chamado de Batalhão dos Periquitos. Duas semanas depois foi descoberta por seu pai, que queria tirá-la do exército, mas foi impedido pelo Major Silva Castro (avô do poeta Castro Alves), em virtude de sua facilidade no manejo das armas e de sua reconhecida disciplina militar.  Incorporada à tropa, teve acrescentado ao seu uniforme um saiote à escocesa.

Quitéria participou de combates decisivos para a consolidação da independência. Viveu dificuldades ao avançar junto à tropa pela floresta, como infestação de insetos nos acampamentos, alimentos estragados, além do ataque de onças e cobras. Com o fim da Guerra, foi ao Rio de Janeiro, onde recebeu das mãos do imperador D. Pedro I a condecoração de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro”, em reconhecimento por sua bravura. De quebra, também recebeu uma carta do Imperador, destinada ao seu pai, pedindo que a perdoasse por sua desobediência.

Mais tarde casou-se com um lavrador, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. Após ficar viúva, se mudou para Salvador, lugar onde veio a falecer aos 61 anos, quase cega, no anonimato. Não se tem notícias de sua descendência. Dezenas de mulheres podem hoje ter o sangue de Maria Quitéria e não sabem. Por Decreto da Presidência da República, de junho de 1996, Maria Quitéria foi reconhecida como Patronesse do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. A sua imagem encontra-se em todos os quartéis, estabelecimentos e repartições militares da Força.

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *