Minha referências pornográficas II

Referencias pornográficas 2

Continuando com as indicações das minhas referências visuais pornográficas que comecei no meu post de apresentação,  mostro agora mais 7  sugestões para vocês conhecerem, tem de tudo um pouco!

4. Inside Flesh

Eu simplesmente sou apaixonada pelas imagens que essas pessoas produzem e pelo manifesto deles. Confesso que acompanho muito mais pelo Tumblr – Inside Flesh. É tão obscuro, sujo e ao mesmo tempo bonito. Sou fascinada por esse tipo de contraste. Tem algumas coisas que são muito pesadas para mim (fica o aviso de perigo para quem é mais sensível!), mas sem dúvidas é algo que eu vejo para pensar além da minha caixa.

5. Interior. Leather Bar

Olha, se você parou por algum motivo aqui, simplesmente assista esse filme. É um filme que investiga a história de produção de outro filme. O filme Cruising, estrelado por Al Pacino. Bom, vocês podem ler a sinopse, se quiserem, mas o lance é que nesse filme James Franco, um dos cineastas responsáveis, dá um depoimento maravilhoso sobre como lidamos com a pornografia. Eu assisti esse filme no cinema em um festival e eu saí da sessão com o raciocínio do James Franco ecoando na minha cabeça. É algo que ele reflete enquanto vem à tona a crise do ator principal e amigo dele sobre atuar em um filme com tanto sexo.

Para alguém como eu que precisa sobreviver a tantos questionamentos, inclusive e principalmente profissionais, dos porquês de estar aqui, nesse mercado, é maravilhoso. Se você trabalha na indústria de alimentos provavelmente não irão questionar caso você mude para a indústria da beleza, mas se chegar perto de qualquer coisa relacionada a sexo e tirar daí o seu sustento, você simplesmente não vai poder contar quantas pessoas lhe darão conselhos sobre como você perderá espaço no mercado de trabalho. E o pior, elas estarão certas. A menos, é claro, que você tenha escondido isso do seu currículo.

6. A Criada

Saindo das reflexões e relaxando, rs. Ou não. A Criada é simplesmente meu filme lésbico favorito até agora. A editora e montadora que trabalha comigo chegou um dia e me disse “A Criada, simplesmente assista!”. E consegui assistir nos cinemas. Ela estava certa e vou te dizer, se for assistir esse filme, se prepare psicologicamente. Crie uma situação para ele. Luz, aroma, amigas… rs. Brincadeira! Bom, você que sabe, mas o filme me transportou para longe. É lindo e é do diretor Chan-wook Park (Oldboy). Além de tudo eu já escutei umas mil vezes a trilha. Tem a trilha no Spotify e uma delas acompanha o áudio em que as personagens brincam com um tipo de Ben-Wa (acho) – aquelas bolinhas para exercícios vaginais. Eu e a editora que me indicou o filme, acreditamos que o Chan-wook Park poderia ensinar para pornografia como fazer boas cenas de sexo lésbico

Veja também:  4 Tipos de Orgasmo: Prazer de A a Z

7. Melissa Santana

Algumas pessoas já me apresentaram essa garota e de sex performer acho que ela é uma das mais interessantes. Ela consegue ser artística sem deixar em nenhum momento de ser sexual (na minha opinião). Ela taca purpurina no corpo e faz parecer que isso pode ser sexualmente agradável. Sério, muito poder. Pelo tumblr dela você encontra o perfil no Patreon (plataforma onde você pode ser uma espécie de padrinho e ajudar a financiar trabalhos de outras pessoas) e o site dela que também tem uma área só para assinantes

8. Aorta Films

Também conheci esse projeto pelo PopPorn Festival, mas os filmes dela serão exibidos na edição de 2017, então segura que quem for de São Paulo poderá assistir em tela grande. 🙂

A coisa que me pegou é que visualmente falando é pornô sem afetação e também sem ser “cru” demais, digamos assim. São garotas que produzem filmes no esquema “faça você mesmo” e estão se divertindo transando ou transando para se divertir. Isso fica muito claro nos vídeos porque elas vão além do que se espera no pornô, algo que geralmente só acontece quando você realmente gosta e está se divertindo com o que está fazendo. Não tem muito protocolo, parece que elas têm uma ideia e a partir disso sentem para onde devem ir. Sexo só por diversão e para experimentação é tão maravilhoso que eu nem sei dizer. É tão natural que é político, principalmente quando vem de um grupo de meninas, abraçando todo tipo de corpo e trepando do jeito que querem trepar. <3

9. Pornoterrorismo por Diana J. Torres

Veja também:  Crossdresser descomplicado: entenda o que é a prática

Sou fascinada pela Diana J. Torres. Entrevistei ela logo no começo da minha história na pornografia e eu ainda estava pensando nos processos performáticos que desenvolvemos para conviver em sociedade, recém-saída da faculdade, quando conheci o trabalho dela. Que coloca um áudio cheio de gemidos atrás de uma santa, dentro de uma igreja tradicional. Desculpe se você é alguém de muita fé e acha isso um ato pecaminoso, mas é só refletir um pouco que dá para entender que um pouco de caos precisa ser criado para questionar filosofias que não contemplam todo mundo, muito menos mulheres e suas realidades.

Participei de um evento em Santa Catarina com uma pesquisadora que conheceu a Diana J. Torres pessoalmente e estudou com profundidade o pornoterrorismo e uma das coisas que ouvi através dela é a defesa que a Diana J. Torres faz não só do movimento de tomada para si da sexualidade como expressão artística não remunerada, mas também da remuneração dessa atividade como forma de manutenção dessa performer, ou simplesmente trabalhadora sexual, na sociedade. Esse tipo de consciência me fez respeitar ainda mais todo o trabalho dela.

10. Bräo

Bräo é o artista responsável por um livro que eu queria e de surpresa ganhei através da Ugra Press. Um livro lindo, bem acabado e com os desenhos mais impactantes que já dei de cara. O tipo de material que eu recorro quando a vida ameaça a oferta de tédio. As mulheres são todas grandiosas e poderosas, mesmo quando estão em posição de submissão sexual. Em preto e branco ele consegue transmitir aquele tipo de tensão sexual em que você até evita respirar para que a tensão não quebre. Eu fico imaginando a dificuldade que seria transformar os desenhos dele em filme, com tantos detalhes e pela qualidade do que ele apresenta, mas sem dúvida se os quadrinhos do Bräo um dia virarem filme, eu pago para assistir. É tudo glamoroso, pervertido e profundo que já me sinto com um drink na mão observando tudo como se fosse tão elegante quanto as suas personagens.

Bom, por hoje é só. Mas engana-se quem pensa que acabou, porque pornô pouco é bobagem!

Um comentário

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *