Minha experiência com Coletor Menstrual

Coletor-menstrual

Aquela célebre – e maravilhosa – frase da Simone de Beauvoir: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, faz sentido em vários momentos da nossa vida. Vamos crescendo e aprendendo a lidar com cada coisa, cada questionamento, descoberta, dificuldade, preconceito, aprendizado. E acredito que uma das coisas que mais marca a vida de uma mulher é sua relação com a menstruação. É algo que surge na nossa vida quando ainda nem sabemos o que é ser mulher, e então, você precisa entender como aquilo funciona, como lidar, como tratar a dor, como esconder dos outros (porque ainda é um grande tabu) e como sobreviver a isso todos os meses pro resto da sua vida! Parece uma sentença de morte, né?

Mas não precisa ser. Eu menstruei aos 14 anos e meu ciclo sempre durou sete dias. Isso mesmo: SETE! Agora, imagina, uma semana inteira por mês usando um negócio incômodo no meio das pernas, abafado, que coça, gruda, sai do lugar, acompanhado de cólica, dor de barriga, inchaço, TPM… cara! Como dá pra alguém conviver pacificamente com isso a vida inteira?

Um dia, com uns 20 e poucos anos, caiu no meu colo um artigo sobre um tal de coletor menstrual. Li e achei tudo muito estranho. Como assim, eu preciso ter contato com o sangue? Vou jogar isso fora? Mas não cheira mal? Não faz mal? E se eu não conseguir tirar? Eram muitas dúvidas, muito preconceito com o meu próprio corpo e pouquíssima informação disponível. Desisti. Santa inocência.

Anos depois, acredito que mais madura, conscientemente feminista, conhecendo o sagrado feminino, a aceitação do próprio corpo, do cuidado com o meio ambiente, uma outra matéria sobre o assunto surgiu na minha frente. Li, reli, tive dúvidas, li novamente e, de repente, aquilo tudo fez tanto sentido que eu não podia deixar passar. Primeiro impacto: os absorventes regulares levam cerca de 100 anos para se decompor! Segundo: o cheiro ruim que sentimos no absorvente não é da menstruação, mas do contato do sangue com o ar! Terceiro: Posso ficar 12 horas sem me preocupar em trocar. Pronto! Entrei num site, pesquisei sobre os tamanhos e comprei meu primeiro coletor menstrual.

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Faz três anos que isso aconteceu e até hoje eu me pergunto como vivi 13 anos menstruando sem usar essa coisa maravilhosa! Minha relação com a menstruação mudou completamente. E o conhecimento do meu corpo também. Primeiro que o ciclo reduziu 1,5 dia mais ou menos (não me pergunte porquê). Depois, eu simplesmente esqueço que estou menstruada! Dá pra ficar até 12 horas com ele sem esvaziar, mas confesso que já fiquei umas 15 porque simplesmente esqueci. Quando você olha, pode parecer assustador o tamanho, mas pense que ele é maleável e também que passa até um bebê por aquele espaço, então tamanho não é um problema, né?

Não vou mentir, no começo dá um trabalho sim. Aprender qual a dobra correta pro seu corpo, qual posição é mais confortável pra colocar e tirar. Leva uns três ciclos, mais ou menos, pra se adaptar, mas depois que você se entende com ele, minha amiga, é a paz na Terra. Eu faço até aula de yoga com ele sem me preocupar com nada! Você já viu as posições de yoga?

Informações técnicas importantes: Existem dois tamanhos, um para mulheres até 30 anos e sem filhos e outro para mulheres com mais de 30 anos ou com filhos; dependendo da marca e do uso adequado, um coletor pode ser usado por até 10 anos; durante seu ciclo, você vai lavá-lo com água e sabão neutro a cada vez que esvaziar, depois que acabou, você ferve o coletor por cinco minutos em uma panela de ágata (pra não estragar o silicone) e guarda pro mês seguinte; caso esteja em um banheiro público e não possa lavar, esvazie no vaso, limpe com papel higiênico e recoloque, na próxima troca você lava corretamente.

Às vezes eu leio mulheres falando que não usam porque dependem de banheiro público durante o dia e não têm como lavar, que é muito difícil. Amigas, um belo dia eu tinha um casamento e eu esqueci de esvaziar meu copinho antes de me arrumar. Lembrei disso já na festa e esvaziei o coletor em um reservado do banheiro de um clube, usando um vestido longo e meia-calça! Acredite, é possível.

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Algumas dicas que podem te ajudar:

– Se o seu fluxo for muito intenso, esvazie o coletor em menos de 12 horas;
– Não coloque o coletor lá no fundo como faz com o absorvente interno. Ele deve ficar perto da saída da vagina pra que você possa puxar com facilidade;
– Mas também não deixe ele super na ponta, senão vai machucar sua pele. Encontre a posição ideal para você!
– Ele não vai sumir dentro de você! Seu corpo não é um tubo oco, ok? Vamos conhecer nosso corpinho, mulherada?!
– O coletor estará na posição certa e não corre riscos de vazamento, quando você não sente mais ele em você. Se colocou e estiver sentindo alguma parte incomodando, tire e coloque de novo. A ideia é te trazer conforto, não atrapalhar mais.

Eu acredito que o segredo todo está em você entender que o seu corpo é normal, que a menstruação faz parte da sua vida (caso ela não traga problemas médicos), e você pode aprender a lidar com tudo isso. Não tenha vergonha de tocar seu próprio corpo, conhecer, saber como funciona. Não tenha nojo do seu próprio sangue, ele é mais limpo do que muita coisa que você põe a mão todos os dias! Incluir o coletor menstrual na sua rotina é redescobrir a relação com você mesma. Acredite: vai mudar a sua vida, como mudou a minha!

 

Beatriz Franco é autora do blog Posso Ajudar, um espaço de compartilhamento de ideias e de incentivo para aquelas horas em que você acha que está sozinho no mundo. Com assuntos que vão de vida profissional a amor e família, o objetivo é perceber que a história do próximo sempre pode te ajudar a seguir em frente.

 

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