Por que permito que meu filho adolescente transe em casa

Meu filho adolescente transa em casa

Demorou um par de semanas para eu decidir qual seria minha primeira contribuição ao Cínicas. Tive que resgatar experiências pessoais marcantes, trabalhar com elas e finalmente expor algo que possa ser útil (yes, I´m capricorn) para alguma mulher… mãe ou futura mãe.

Tenho 36 anos e fui criada dentro de um sistema de crenças religiosas extremamente conservadora uma boa parte da minha vida. Onde um dos pilares é “castidade até o casamento/monogamia/casamento para a eternidade”. Não cumpri nenhuma das três coisas esperadas pelos meus pais e líderes de dita religião, portanto, constantemente recebia os castigos ou “oportunidade de arrependimento e correção de conduta” desde a adolescência.
No dia a dia das minhas descobertas sexuais com namorados e namoradas, enquanto adolescente, era comum na minha geração a falta de tempo de qualidade para criar intimidade durante o sexo, o que empobrecia as experiências e não contribuía para o desenvolvimento de uma saudável autoestima.

Sei que muitas mulheres da minha geração, hoje mães de adolescentes, também passaram por isso: transar escondido, ser a rainha da rapidinha nas escadas do prédio, ter pouca grana para ir em motel e sempre na promoção de 1 hora, trepadinha no carro velho do pai do namorado.

Refleti o quanto esta falta de espaço, tempo, respeito à minha sexualidade e à expressão dela influenciou ao aceitar qualquer migalha afetiva e sexual vinda de outras pessoas, até a cristalização de conceitos de que “é assim e pronto”.
Decidi conscientemente que no início da vida sexual dos meus filhos, para ajudar minimamente em terminar com este ciclo vicioso de falta de cuidado – ao menos entre os jovens próximos que se aproximarão deles – , eu facilitaria ao máximo seus encontros, num lugar limpo, seguro, acolhedor e empático.

Daí pra ser “perfeito” na minha mente, eu projetava uma cena idílica de tomar café da manhã com as namoradas e namorados, ficantes, rolos, crushs dos meus filhos, deixar camisinhas de todos os tipos, sabores, presentear com kits de apetrechos e brinquedinhos sexuais para se divertirem.
Até que, este dia finalmente chegou e com ela, a realidade surpreendentemente imperfeita.


Meu filho mais velho, com 15 anos, anunciou: “mãe, eu vou trazer a B. para casa e possivelmente vamos passar a manhã inteira transando no meu quarto, tudo bem? Por favor, se mantenha invisível para não assustar a menina!”
Mamãe eufóricaaaa! “Sim??? Claro filho, ela é suuuuper bem-vinda! Brasileira? Quer brinquedinhos? Apetrechos? Flores no quarto? Luz especial? Café da manha na cama?”

E ele: “Mãe, relaxa. Já tenho tudo o que preciso, simplesmente deixe a gente à vontade e nos viramos bem. Eu vou fazer o almoço para ela e para você, mas se ela estiver tímida, deixa a garota pela-mor. Veja se o Rafa pode ficar com as crianças porque preciso me sentir relaxado e que eles não vão bater na porta!”

Fui pro meu quarto, mandei os filhos pequenos para a casa do pai, meu ex marido, vizinho, amigo e cúmplice da minha “primeira vez de invisibilidade materna”.
Liguei o som no último volume e passei a manhã toda trabalhando, cercada de snacks, bebida e alívio.

Havia uma distância imensa entre minhas expectativas cinematográficas de comunhão, trocas de saberes com a garota, poder ser a mamis fofa e descolada, ouvinte de suas confidências, ou seja, tudo o que eu gostaria que fizessem comigo na adolescência.

Às 17h eles saíram do quarto definitivamente, pois o pai da B. veio buscá-la depois do trabalho. Nos esbarramos no corredor. Ela esboça um tímido “Nossa, tia! Fiquei até sem graça porque pensei que não ia te conhecer” e eu disparo “Venha sempre que quiser, seja bem-vinda na minha casa. Espero que meu filho tenha te tratado muito bem”. Ela sorriu para mim, linda! Olhou pra ele com cumplicidade.

Aquele sorriso representou todas as vezes que eu desejei ter tempo, ser acolhida e poder desenvolver intimidade na adolescência. Não ser vista como a “puta do rolê” pela comunidade religiosa e familiares.
Aquele sorriso dela foi curativo e reparador.

Meu filho me abraçou e agradeceu pela liberdade de ser ele mesmo. E disse pra ela “minha mãe é feminista, como você!”
À noite ele veio no meu quarto com jantar delícia, contar sobre a experiencia do dia e dizer que era um dos dias mais felizes da vida dele! O quanto a B. é incrível, decidida, livre e que ele estava estudando novas técnicas de massagem…
Lágrimas escorreram do meu rosto e me senti grata pela experiência de ser invisível e desnecessária.
Ela 17, ele 15. Bem-vinda a evolução da espécie!

 

comentários

  1. Chorei por tudo! Pela empatia e carinho que vc teve c os dois, pelo teu filho cuidadoso e gentil c ele mesmo, c a moça e c vc!
    Bjs luminosos!

    • Grata pelo seu comentário Flávia! Creio que sempre temos que tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados.
      Um abraço grande
      Sabrina

  2. Encantada... nossa... se ñ tivessemos quase a mesma idade ia pedir pra vc me adotar... rsrsrs
    Me vi em seu comentário... espero ajudar minha filha qndo esse momento chegar.

    • Hahahaha meu amor é expansivo e sempre posso "adotar" mais um...mais dois...mais três...rs
      Me alegro que você esteja consciente da importância de apoiar sua filha para que tenha uma vida sexual saudável ;)
      Um abraço,
      Sabrina

  3. vc é demais mesmo em mulher... hein família... q relato curador!!! sigo aqui na evolução da espécie com os meus meninos...

  4. Moça, obrigada pelo seu texto! Me emocionei porque é uma realidade que ainda tenho medo de viver (tenho dois filhos, uma com 9 anos e o pequeno com 2). Seu texto falou muito das minhas aflições. Gratidão!!!

    • Olá Marine, nao tenha medo... simplesmente siga seu coraçao e faça pelos seus filhos o que gostaria que tivessem feito por e para você! Vc está atenta ao assunto e isso já é um grande passo. Um abraço,
      Sabrina

  5. Caralho mana tu eh dez !!! ❤❤❤❤

  6. Nossa, eu quero um dia ser um pai-mãe assim! Obrigado por dividir a experiência.

    • Agradeço o seu comentário Luiz! Simplesmente seja a sua melhor versao como pai-mae ;)
      bjo,
      Sabrina

  7. Obrigada por este texto, me senti compreendida e traduzida! Tive experiências parecidas com as suas, mesma idade, mesmo perfil familiar, etc. Meu sonho é que meus filhos tenham acolhimento total nos momentos de descobertas quando se sentirem prontos pra isso. Ainda são muito pequenos, mas já tenho toda uma fantasia que é muito parecida com a sua, bom saber que a realidade pode ser melhor ainda! <3

    • Ah, sempre pode ser melhor né Vivian! Acho que aprendi a nao criar expectativas e logo seguir o fluxo da realidade que se apresenta. Entao, espero que seja melhor ainda quando meus filhos pequenos crescerem e passarem pela mesma situaçao. Primeiro filho sempre é meio cobaia, né? ;)
      Sinta-se abraçada!
      Sabrina

  8. Cada um com seus critérios de saudável, amoroso, legal, bacana e sensato!

    • Exatamente Maria Luísa! Cada um tem seus critérios. Os critérios dos meus pais até hoje continuam os mesmo: saudável é ser abstêmio de sexo até o casamento e com único parceiro para o resto da vida; amoroso é permitir que um líder religioso com algum Deus criado por outros seres humanos guie a vida dos seus filhos; legal é dar um enxoval de presente aos 20 anos da filha e pressionar para casar...
      Eu respeito, desde que nao interfira na vida dos meus filhos. Por isso compartilhei a minha experiência pessoal e no começo do texto coloquei "nao consegui cumprir nenhuma das expectativas deles e dos líderes religiosos". Essa era a verdade deles. Nao minha. Você pode ter a sua e eu defenderei sempre a liberdade de cada um de expressar as suas verdades ;)
      Um abraço amoroso,
      Sabrina

  9. Meodeols, como Biel tá grande 😱rs

    • Né? hahaha
      e eu véinha do lado desse pequeno gigante de 1,90 e chulé 44!!
      bjo querido,
      Sabrina

  10. Parabéns! Não fui capaz de ser tão aberta quanto vc foi, mas meus filhos também trazem suas namoradas para casa. Ainda imponho alguns limites do tipo - não gosto que tragam pessoas que não conhecem, que não existe relação, pois isso me faria muito mal. Do resto tudo bem.
    Minha decisão sempre foi baseada nas mesmas razões das suas, como nossa educação foi hipócrita e nossos pais teimavam e fazer de conta que nada acontecia conosco (sou de uma geração antes da sua, então as coisas eram mais fechadas ainda). Fumar foi uma dessas coisas e, apesar de não gostar, meu filho fuma em casa, desde muito jovem. Um dia meu pai me questionou, como eu permitia isso. Disse a ele que não queria repetir com meus filhos o que aconteceu comigo - ou você realmente não sabia que eu fumava escondido na adolescência? Não teria sido muito menos desgastante para todos nós a verdade, o diálogo? Pois é...
    Não é muito mais saudável entendermos as necessidades de nossos filhos e termos abertura para conversar, dar nossa opinião, saber de verdade o que acontece na vida deles? É o que tento fazer, mesmo com eles adultos (26 e 23).
    Novamente, parabéns pela bela história.
    E aos que dizem: nunca, saibam que nunca é um lugar que não existe (anos na China me ensinaram isso!) hehehe.
    Abraço.

    • Christine, grata pelo seu feedback. Cada uma a seu modo vai abrindo novas possibilidades para que os filhos tenham auto-estima, respeito pelo outro, consciência dos seus atos, propiciando situaçoes e locais amorosos e seguros.
      Seus filhos certamente tem orgulho de você!

      Um abraço grande
      Sabrina

  11. Que lindo! Sou mãe de uma menina de 3 anos e me emocionei com seu relato. Achei ótima a sua postura! Não tive nada disso na minha adolescência, pelo contrário!

    • Agradeço querida Marilia. Aos poucos vamos nos curando, libertando e oferecendo nossa melhor versao para nossos filhos, né? Quem sabe em duas ou três geraçoes, tenhamos pessoas mais resolvidas sexualmente, felizes, sabendo lidar com a intimidade. É um longo caminho e vou dividir meus aprendizados sempre.
      Beijos,
      Sabrina

  12. Sem palavras pra definir, apenas, talvez se tivesse sido assim pra minha "primeira vez " não achasse que foi a pior experiência da minha vida, da qual me arrependi amaegamente, por tudo, pela pessoa, pelo ato, enfim, sem palavras

    • Querida Nete, todo dia pode ser nosso primeiro dia... nossa primeira experiência! Tente acolher a sua história, se aceitar e fazer diferente para as próximas vezes. Somos tao frágeis na adolescência, nao é? Outras pessoas maravilhosas poderao te conhecer... olha que lindo! Sempre há uma forma nova de viver e escolher.
      Sinta meu abraço,
      Sabrina

  13. Muito obrigada!!! Pelas palavras, pela sabedoria e por construir um mundo mais seguro para todas nós mulheres! Tô em lágrimas!

    • Olá Karine, fico feliz que foi útil para tantas pessoas. Sinto até que está curando feridas antiiigas e que somos muitas que passamos por esse tipo de situaçao. Tomara que possamos proporcionar cada uma dentro das suas possibilidades, momentos amorosos e acolhedores para nossos filhos e outros jovens que nos rodeiam.

      Um abraço afetuoso,
      Sabrina

  14. tenho 60 anos e meu filho 24 quando ele fez 15 anos nos mudamos e eu e meu marido decidimos trocar os moveis do quarto dele por uma cama de casal! ele tem desde os 15 anos a liberdade de trazer namoradas para o quarto dele. Temos algumas regras para ele seguir e de boa ele as respeita. Tomamos café da manhã todos juntos eu marido filho namorada gata e cachorra kkkkk e eu fico muito tranquila com essa situação. O que nós como país queremos e que o filho seja feliz e respeite a menina que ele trouxer.

    • Olá Hermínia! Que interessante sua experiência... eu ainda nao cheguei no nível de colocar uma cama de casal no quarto do meu filho, senao acho que ele nao sairia mais do quarto...rs rs E sonho tb chegar a esse ponto dele permitir e liberar a mamis de tomar o café da manha com elas hahaha Mas tomara que até os 24 ele já esteja tranquilo pra isso. Ou nao tb né? Cada um é do jeito que é e estou aprendendo a tirar minhas expectativas do meio e ficar feliz pela alegria de ambos e tá ótimo!
      Um abraço grande!
      Sabrina

  15. Recentemente conversei com meu filho de 20 anos no sentido dele e a namorada não ficarem trancados no quarto e também para que não tenham relação sexual enquanto eu e minha esposa estivermos em casa, evitando que nos constranja, já que levamos em conta a confiança dos pais da namorada em deixá-la vir para nossa casa, o que imagino que não seja do conhecimento deles esse nível de intimidade que eles tenham.
    Sou conservador e prezo pelo respeito, mas lendo seu depoimento vi que vivenciou situação mais idêntica que semelhante a sua, por esse motivo gostaria da sua opinião a esse respeito.

    • Olá Adalberto, grata por compartilhar a sua visao. Nao costumo opinar na vida das pessoas, somente compartilho a minha experiência. Mas já que você pediu e ainda me faltam elementos para opinar, como por exemplo, qual é a idade da moça? No nosso caso, mesmo a garota sendo menor (17 anos), os pais sabem que quando ela vem em casa, naturalmente nossos filhos terao relaxoes sexuais. Portanto, por aqui, as duas famílias estao de acordo.
      Eu nao tenho como opinar sobre o fato de vocês se sentirem constrangidos porque um homem de 20 anos tenha relaçoes com sua namorada. Se ela é menor de idade, já é uma questao a ser tratado o tema de outra forma, pois seu filho é maior de idade e existe algumas restriçoes pelo Estatuto da Criança e Adolescente, aí no Brasil.

      Entendi que você é conservador e preza pelo respeito. Mas este respeito a que se refere é a quem? somente deles para com vocês como pais? Que outras alternativas seu filho e a namorada tem? Será que tem condiçoes ($) para praticar sexo de forma segura, num local seguro? Para mim, a segurança vem antes da intimidade, do acolhimento, da liberdade, que também sao importantes. Já tive amigos que sofreram sequestro relâmpago no Brasil, por estar à noite transando dentro do carro do pai da namorada, porque os pais nao permitiam que usassem o próprio quarto... e eles nao tinham dinheiro pra motel. Sei lá, sexo sempre vai rolar entre namorados, ou quase sempre. Se a gente puder ao menos, tentar garantir que tenham segurança e estejam num lugar limpo creio que seria o mínimo. É uma forma de expressar nosso respeito e amor por eles também.
      Um abraço!
      Sabrina

  16. Sim senhora! Aplausos.

    • Quanta sorte a dos seus filhos. Eu fui criada muito fechada, acabei me casando com 18 anos com minha primeira paixão sem nenhuma experiência. Já lá vão 13 anos de relacionamento. Há certa altura chegamos a beira da separação, novamente minha criação falou mais alto. Insistir e esperar que as coisas melhorem. E as vezes até parece que melhora e outras vezez não. A única certeza que carrego hoje é que já não amo a pessoa como antes. E para complicar descubro que estou apaixonada por outra pessoa. ..minha cabeça está abarralhada. As vezes penso que se fosse criada diferente com mais liberdade tudo poderia ser diferente. Não estou sabendo como lidar com isso. Pois não tenho experiência nenhuma.

    • Olá Isa, agradeço que foi útil ;)

  17. Fiquei curiosa...Você expõe tudo com muita clareza, mas pergunto-me e os pais da garota?! Brinquedinhos, não é meio que objetificar a menina nesse momento o melhor não instruir, educar e deixar o resto com os dois sem tentar ser parte dessas descobertas, até porque seu filho é bem maduro e espero realmente que a garota seja tratada como se deve e jamais como mero objeto nas aventuras sexuais de outros...

    • Olá K.Santos,
      É engraçado como os adultos brasileiros tem uma visao de "brinquedinhos" sexuais como algo ruim, pervertido, anti-natural, e às vezes de objetificaçao do sexo. Eu nao especifiquei que coisas poderiam ser utilizadas se eles quisessem no texto. Mas cada um imagina de acordo com sua visao do que conhece. Para mim é muito óbvio que meu filho jamais trataria ou trata qualquer mulher como um objeto. A "aventura sexual" é para ambos. As descobertas sao de ambos. Ninguém abusa de ninguém. Eles podem conhecer um universo de sensaçoes, posiçoes, técnicas, objetos, etc que ofereçam prazer. Ela gosta de estudar o kama sutra. Ele gosta de estudar sobre massagens. Dentro das técnicas de massagem, existem objetos que facilitam o relaxamento muscular por exemplo. Isso nao significa que ele queira usar. E nao usou nada naquele momento, somente preservativos. Mas poderia porque tem acesso. E se chegar ou nao a vontade de ambos explorarem estas possibilidades, saberao que tem um leque de opçoes disponíveis e acessíveis pra eles com muita naturalidade e sobretudo, igualdade. Eu sou feminista e ativista pelo direito humanitário. Jamais deixaria uma pessoa seja homem ou mulher, jovem ou criança em situaçao de vulnerabilidade, objetificaçao ou vexatória. ;)
      Um abraço,
      Sabrina

  18. Esqueci de dizer algo...Adorei a postagem, acredito que um dia muitos pais/mães vão dar aos filhos essa abertura e é mega importante que exista esse elo de amor, respeito e cuidado com quem nossos filhos filhos namoram para que seus parceiros(A) jamais sejam tratados como mero objeto...

    • K. Santos, concordo com você. Jamais as pessoas devem se tratar como objeto.
      ;)
      um abraço,
      Sabrina

  19. Muito interessante. Tive exatamente o mesmo perfil de educação e está chegando a minha vez , com um casal de filhos com 11 e 13 anos. Meu marido e eu estamos colhendo informações e experiências. Uma pergunta: agiria da mesma forma se fosse uma moça e não o rapaz?

    • Olá Rutiléa, sem dúvida agiria da mesma forma. Sou feminista e portanto, os direitos do meu filho serao os mesmos da minha filha. Ela ainda tem 8 anos, mas quando este momento chegar, eu confio na sua capacidade de discernir quem é a melhor pessoa para estar com ela naquele momento, de acordo com suas possibilidade e sentimentos. Seja homem ou mulher.

      Um abraço,
      Sabrina

  20. História incrível, que pessoa incrível!!! Espero tomar coragem para mostrar para a minha mãe esse texto, muito bom!!!!!

    • Olá Lia, dê a oportunidade pra sua mae ter outra opiniao e visao. O "nao" vc já tem, mas se ela tiver uma portinha para recordar as próprias vivências, talvez aí seja um momento de vc perguntar como era na época dela adolescente. De como se sentia, agia, etc..
      Abra a conversa. Você nao tem nada a perder e pode estabelecer um outro nível de comunicaçao com sua mae.

      Um abraço e boa sorte querida!
      Sabrina

  21. Adorei o texto e é bem assim, quero ter essa cumplicidade com a minha filha quando chegar o momento dela, infelizmente vejo mta Diferença entre homens e mulheres e quero que a minha L cresça sabendo que sou sua amiga e cúmplice das descobertas não ir em qualquer lugar que isso realmente não da o tempo do conhecimento do próprio gosto.

    • Olá Ana Paula, te desejo tudo de bom na sua jornada como mae da L.
      Fico feliz que você é sua melhor amiga e a pessoa que ela confia!
      Um abraço grande,
      Sabrina

  22. Queria que minha mãe fosse assim :/

    • Olá Effy, eu também já quis que minha mae fosse assim... mas nao foi. E sabe, graças a isso eu posso ser quem sou também e fazer diferente com meu filho. Sao outros erros os que eu cometo, mas tb sou falha como mae. Nao existe mae perfeita! Ame a sua incondicionalmente, com suas falhas e seus acertos. Sempre estamos tentando acertar, mesmo que nos equivoquemos! Nao existe manual para ser uma mae ideal... e acho que seria muito tedioso se tudo desse certo sempre, né? Precisamos fortalecer nossas asas em nós mesmos. AME-SE muito e se faça respeitar sempre por qualquer companheiro ou companheira de jornada na vida.
      Um abraço,
      Sabrina

  23. A maneira dos pais orientarem seu filhos de forma precisa sobre sexo, faz a diferença. Orientar sobre os riscos da não proteção e apoiar para ambos poderem desfrutar desse momento especial é fundamental. Sou mãe de uma adolescente e conversamos sempre sobre prazer e cuidados que se de ter quando iniciamos vida sexual. É claro que explico pra ela que transar com namorado em casa além de ser confortável é mais seguro.

    • Olá Vanusa! Fico muito muito feliz de ler seu comentário. Que sorte da sua filha... Seria tao bom que todas as amigas dela tivessem este privilégio né? Mas é isso, vamos cuidando e acolhendo os nossos filhos e seus parceiros e aos poucos mudamos coletivamente, nos apoiando umas às outras.

      Um abraço pra vocês!
      Sabrina

  24. Acho que a questão não é geracional (tenho 56 anos e três filhos hoje com 33 🙋🏻‍♂️30 🙋🏼e 28 🙋🏻anos) e também não seja diferente se for referente aos filhos ou filhas. Meus filhos eram crianças no 'boom' da epidemia da Aids no Brasil e no mundo. Como eu iria ignorar esse assunto sabendo que todos eram e são um grupo de risco? Sim. Eu conversei sobre sexualidade, doenças sexualmente transmissível, uso de preservativos, amor livre (hahaha isso é antigo), respeito ao próprio corpo e ao do outro(s) (não sou nem um pouco espiritualizada, não). Pensando hoje...acho que fui um pouco agressiva na abordagem visto que minha maneira de educar era -" falar td sempre para os três", fosse coisa boa ou ruim - então, a mais nova aprendeu 'coisas' talvez, um pouco cedo demais. Amadureceu mais cedo, porém, posso tê-la sobrecarregado. Mas por outro lado. Sei que cada criança absorve aquilo que lhe é conveniente e interessante. Se ela tiver dúvidas...com certeza virá perguntar depois, se souber que você é uma pessoa acessível. De qualquer maneira, meus três filhos tiveram total liberdade em trazer para casa, no momento que cada um achou que era adequado (e foi diferente para cada um deles) a parceria que estava se relacionando. Cada um, do seu jeito. Um mais tranquilo, falante e desinibido. Outro mais seletivo, quieto e inibido. Estou colocando minha experiência aqui só para dizer que não existe receita. Se existisse, eu vendia. Mas acredito que a questão crucial é a comunicação, a cumplicidade, o respeito com a relação afetiva do seu filho. Não menospreze os sentimentos e experiências deles. Eles estão aprendendo e precisam de alguém (saber que têm alguém em quem confiar: nós). Não seja amigo(a) do seu filho(a). Disso ele(a) tá cheio. Seja ouvinte, cuidador, assistente (assista e admire). Eles vão fazer as escolhas deles e com certeza deverão ser as melhores ( se a gente deixar). Afinal de contas...são nosso melhor produto. Não é mesmo? Hahaha

  25. Você é a mãe que eu sempre quis ter... me adota, por favor!!

    • Querida Bela, a sua mae te ama. Do melhor jeito que ela pode te amar. Muitas vezes os nossos pais estao presos em padroes culturais, sociais, religiosos difíceis de serem mudados. Tente aproveitar o melhor dela e acolher suas falhas e suas qualidades, para seu próprio aprendizado. Expresse seu amor e gratidao pela sua existência! Nao é fácil ser mae. Nao acertamos sempre... certamente meu filho um dia terá críticas e eu só poderei pedir desculpas. Nao existe um manual pra ser mae perfeita! E que tédio seria...rs

      Um abraço gigante! AME-SE muito e seja grata por quem você é e por quem tem ao seu lado. Por quem morreria e mataria por você.
      Sabrina

  26. Existe a tese e a antítese, o lado maravilhoso que é o prazer que o sexo proporciona a todos nós e é claro aos nossos filhos (as) , estou no terceiro casamento, isso significa três famílias com filhos, o que pude observar que meus filhos que tiveram liberdade sexual são menos ajustados em seus relacionamentos amorosos, e os que tiveram um padrão (Sud) são ajustados e vivem melhor o seu casamento, tenho a impressão que a sexualidade aberta a muitas oportunidades e vivência , mata algo de nobre dentro de nós, nos deixando mais fácil a separações, no fundo todos somos crianças crescidas, tentando atravéz dos filhos suprir alguns conflitos adquiridos .

    • Olá Paulo, grata pela sua visao. Cresci na religiao SUD precisamente (mórmons) e nós sabemos o quanto a questao da sexualidade em dita religiao somente contempla quem quer viver seja de forma celibatária (obrigatoriamente antes do casamento, após um divórcio ou viuvez até um novo casamentou) ou de forma monogâmica heteronormativa. Nao se contempla a diversidade e abrangência de identidades de gênero (transexuais), outras opçoes sexuais (homossexuais e bissexuais), tampouco a poliafetividade, ainda que nos primórdios da igreja, para que se ampliasse a possibilidade de crescimento da comunidade mórmon, foi autorizada a poligamia entre um homem e muitas esposas (o que causou diversos casos de abusos e suicídios na época, mas daí é outra história).
      Portanto, creio que o ponto do seu comentário, nao se refere especificamente à sexualidade em si, mas em como as pessoas da sua família convivem com relacionamentos monogâmicos e dá a sensaçao que os que sao SUD (mórmons) sao mais felizes em suas escolhas monogâmicas, certamente porque seguem à risca todos os preceitos da igreja e os que nao seguem, nao conseguem se "ajustar em seus relacionamentos amorosos" porque simplesmente nao deve fazer sentido pra eles a forma em que vivem. Todos temos e aprendemos durante a vida a como se relacionar, seja socialmente, sexualmente, etc... Está aí a prova tanto para você como pra mim na quantidade de casamentos que tivemos (eu tb passei por 3 casamentos, para finalmente entender que sou poliafetiva e assumir minha bisexualidade).
      Quanto ao fato de sermos crianças crescidas, de certo modo nós podemos sim curar feridas antigas abrindo espaço ou evitando ao menos que nossos filhos passem pelos mesmos traumas. Eles terao outros desafios e traumas que estarao além da nossa capacidade de proteçao. Isso é claro. ;)
      Um abraço e ótima semana!
      Sabrina

  27. Arrasou mulher! Que relato! Por mais mães assim! Meu filho com certeza terá o mesmo tratamento! Já te amo sem te conhecer! Beijos

    • Ah que lindo ler isso Mariana!! Muito grata pelo carinho, fico feliz que você acolherá seu filho também.
      Um abraço,
      Sabrina

  28. Maravilhada com este texto e maravilhada com este blog que eu ainda não conhecia!
    Sabrina, parabéns pela educação que deu ao seu filho, parabéns por desempenhar esse incrível papel de mãezona e parabéns a ele também, por estar se tornando um cara muito gente fina!
    Um dia, quando eu tiver filhos, vou me lembrar desse texto, com certeza (minha memória é muito boa sim! haha). Obrigada por me abrir os olhos! Tenho 22 anos e namoro sério há mais de 4. Sou muito feliz com meu namorado e com a nossa sexualidade, aprendemos e descobrimos muita coisa juntos ao longo destes 4 anos de relacionamento. Mas ainda vivo em uma família muito tradicional, e a dele não é diferente. Moro com meus pais e ele com os dele enquanto ainda não temos grana pra bancar nossas duas faculdades (salário de estagiário não é lá essas coisas, amiga!) e ainda conseguir pagar aluguel e todas aquelas outras coisas. Porém, jamais - eu disse JAMAIS - conseguiria cogitar a hipótese de ter um diálogo como esse que você teve com o seu filho, com a minha mãe, por exemplo. Meus pais nunca nem tiveram a famosa "conversa" comigo quando entrei na puberdade e tal. Sempre tive que me virar sozinha para aprender e até para me descobrir. Mas não, não quero isso para os meus filhos... é um cárcere! No entanto, antes de ler esse texto que você escreveu, eu estava tão "acostumada" com a realidade que vivo, que nem tinha parado para pensar em outras possibilidades. Gratidão por compartilhar conosco esse texto! Esclarecedor é a palavra!
    Abraço!

    • Querida Nina! Em meio a tantos "haters" que ultimamente me descobriram por este texto, ler o seu comentário e a tua decisao, acaba sendo um oásis pra mim! Sempre digo que se 1 pessoa sequer for beneficiada por algo que faço/escrevo, já fico feliz... Espero de coraçao que você e seu namorado sejam muito felizes nos planos de vocês e que quando você seja mae, nao precise tropeçar nas mesmas pedras que a minha e a sua mae. Nossos pais sempre tentam fazer o melhor. Com certeza meu filho fará coisas diferentes de mim e será melhor com os filhos dele... assim é a vida! Graças aos nossos pais, podemos evoluir constantemente. Um abraço grande ;) Sabrina

  29. Querida Nina! Em meio a tantos "haters" que ultimamente me descobriram por este texto, ler o seu comentário e a tua decisao, acaba sendo um oásis pra mim! Sempre digo que se 1 pessoa sequer for beneficiada por algo que faço/escrevo, já fico feliz... Espero de coraçao que você e seu namorado sejam muito felizes nos planos de vocês e que quando você seja mae, nao precise tropeçar nas mesmas pedras que a minha e a sua mae. Nossos pais sempre tentam fazer o melhor. Com certeza meu filho fará coisas diferentes de mim e será melhor com os filhos dele... assim é a vida! Graças aos nossos pais, podemos evoluir constantemente. Um abraço grande ;) Sabrina

  30. Tenho um filho de 25 e uma filha de 22, e sempre fui uma mãe liberal, com quem eles podiam falar sobre qualquer assunto.
    Quando eles se tornaram adolescentes e começaram a namorar, eu os deixava trazer os respectivos para passarem a noite, e sempre tivemos conversas sobre contracepção, mas esse negócio de sabor de camisinha e brinquedo sexual já era demais pra mim.
    Mesmo eu liberando, muitas vezes eles não ficavam confortáveis (especialmente nas primeiras vezes) e acabavam indo para motéis, mas ficava tranquila pois era por escolha própria.
    Beijos!

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