Mas ele era um homem tão bom

mas ele era um homem tao bom

(texto baseado em vivências de uma relação hétero)

É muito interessante perceber como algumas pequenas coisas fazem parte do nosso cotidiano mas não nos damos conta do quão nocivas – e machistas – elas podem ser. Isso porque na maioria das vezes surgem como cuidado, preocupação, afeto.

A reflexão surgiu a partir de mim mesma. Há alguns meses terminei um relacionamento e, por este cenário automaticamente colocar todo o seu círculo social em alerta e preocupados com o seu bem estar, ouvi bastante a curiosa frase: “ah, que pena. Ele era um homem tão bom”. É, aparentemente o grande problema no fim de uma relação está em perder o magnífico omí que nunca mais vou encontrar outro igual.

Eu tenho certeza absoluta que ninguém que fala isso tem noção do que essa simples frase pode representar. Eu tenho certeza absoluta que a pessoa que diz estava genuinamente querendo o meu bem. Porém, a grande merda é que o que deveria ser só um comentário solidário vem num momento de extrema fragilidade e pode resultar em fantasmas desnecessários porque 1) ao que tudo indica você perdeu o último cara legal da face da Terra e 2) pelo visto sua sentença é morrer solteira e minha nossa, que morte horrível.

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Gente, parem. Apenas parem.

O homem precisa parar de ser o centro das coisas. Relacionar-se é complicado por si só, romper mais ainda. Para OS DOIS. Sempre para os dois. O que o casal aparentava ser é puro achismo seu – o buraco é bem mais embaixo e a rotina lá dentro da relação é outra história. E se tinha alguém bom ali, certamente eram os dois também.

Pra quem chegou até aqui e de alguma forma se identificou: é claro que ele era um homem bom. Vocês eram namorados, oras. Você o escolheu. Assim como você também foi incrível e justamente por isso ele também te escolheu. E assim seguiram até onde tinha que ser. A única verdade absoluta que você deve levar disso tudo é que você se basta. VOCÊ. Instintivamente lamentamos a solidão e demoramos muito para ver beleza na solitude. Ela não só existe como é libertadora e sublime.

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Nesta temporada solo, estou empenhada em me colocar como primeira opção, como primeiro e incondicional amor, como companhia, como morada. É difícil, mas ao mesmo tempo é um presente. Ninguém é melhor para te acompanhar do que você mesma. Follow the baile, mana! Seja você sua melhor companhia.

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