Levei 8 anos para me descobrir sexualmente e tá tudo bem

Hoje vou falar do processo de conhecimento e entendimento da sexualidade, não só no sentido do ato de fazer sexo e sim de entender o que você gosta, que gênero te atrai.

Sexualidade

Como eu disse no meu último texto, hoje vou falar do processo de conhecimento e entendimento da sexualidade, não só no sentido do ato de fazer sexo e sim de entender o que você gosta, que gênero te atrai.

Quero começar dizendo que não existe um padrão e cada um tem a sua experiência e sua forma de autodescoberta. Tudo que vou falar aqui é baseado nas minhas experiências de vida (que podem não parecer muitas, mas me ajudaram a me tornar a mulher que sou).

Desde que me entendo por gente sempre tive uma cabeça muito diferente da minha família, fugindo totalmente da criação que eu tive, no sentido de nunca julgar a orientação sexual de ninguém. Lembro que conheci minha primeira amiga lésbica na 8ª série e ela demorou 1 mês pra me contar que namorava com outra menina, mas quando ela contou eu achei tão legal, só conseguia pensar que o importante é a felicidade e o amor existirem.

Confesso que daí veio uma curiosidade, uma vontade de beijar uma menina e saber se é diferente. Então, eu e uma amiga combinamos de dar um beijo, porque eu queria saber como era e ela queria dar o primeiro beijo em alguém que confiasse, eu tinha por volta de 13/14 anos nessa época. Beijamos e eu achei normal, bom e normal.

Segui ficando com meninos, porque na minha cabeça não tinha tido diferença, então não tinha porque parar de ficar com os meninos. Quando eu estava no quarto semestre da faculdade, mudei para o período noturno e lá conheci minha primeira namorada. Ela veio cheia de charme conversar comigo, achando que eu já ficava com mulheres. Contei pra ela que só havia tido 1 experiência e ela perguntou se eu ficaria com ela e eu disse que sim. Ficamos. Eu gostei, gostei muito na verdade.

Lembro dela perguntar se eu queria ir embora, se tinha ficado assustada e eu só disse que estava bom e queria continuar. Ficamos juntas 3 meses, aí alguém contou para minha família e eu tive sérios problemas em casa, morava com meu pai e minha madrasta e fui convidada a me retirar da casa deles e ir morar com a minha mãe.

Depois de pouco tempo que isso aconteceu eu e minha ex terminamos. Não sei se por trauma de tudo que aconteceu nessa época, mas depois dela só ficava com caras e me entendi como bissexual. Devo ter beijado umas 3 meninas, mas amigas de rolê, sem intenção nenhuma. Passaram 2 anos, conheci minha última namorada e cara, foi onde eu tive o maior entendimento sobre minha sexualidade, de verdade. Eu só tinha feito sexo 2 vezes com a minha outra namorada, mas não tinha sido em situações que podíamos ficar a vontade.

Quando transei com minha última namorada eu pensei “puta que pariu, como eu demorei tanto tempo para descobrir o quanto eu gosto de mulher?”. Namoramos 2 anos e cada dia eu ia entendo cada vez mais o quanto eu gostava muito mais de mulher, do que de homens.

Já faz alguns meses que estou solteira e fiquei com um cara, pra ver o que eu sentia e entendi que não é de todo mal beijar um cara, mas que eu realmente sinto mais atração por mulheres, MUITO MAIS. Se fosse pra classificar eu diria que é 95% – 5% a divisão, mas só porque o Chris Hemsworth existe.

Então, depois desse resumão de como as coisas rolaram comigo, agora vem a parte que eu citei no começo, que é sobre entender a nossa sexualidade. Eu demorei 8 anos, mais ou menos, para entender as sensações dentro de mim, para organizar meu desejos. Minha dica, óbvia confesso, é experimente se te der vontade, não se reprima por conta de medo dos julgamentos. Tente ser gentil com você, gentil com suas vontades e seus desejos. O autoconhecimento é importante em todos os sentidos.

Quando eu fazia sexo com homens não ficava satisfeita e acreditava que era normal, acreditava que era daquele jeito que as mulheres curtiam. Eu não costumava ter tesão quando via um pênis, porém achava que ninguém sentia e tava tudo bem. Então me conhecer foi importante para que eu consiga ter prazer, para descobrir o que me atrai, o que eu gosto. Não vou dizer que nunca mais vou ficar com um cara, mas faz muito tempo que essa vontade não aparece e tá tudo bem. E se um dia me der vontade, tá tudo bem também.

Para finalizar, faça essa reflexão, não tranque seus pensamentos e vontades a 7 chaves naquele canto escuro da alma. Se entenda, se aceite, se ame. Você pode ser gay, lésbica, bi, panssexual, assexuado… Nem sempre será fácil ser você mesmo, mas quando você se olhar no espelho e ver que você se respeita acima de tudo, isso te preencherá mais do que qualquer outra sensação.

Um comentário

  1. Uau, que texto! Adorei saber sobre o seu processo de descoberta e que apesar de saber o quanto o seu interesse em mulheres é muito maior, vc não se limita, reconhece que sente uma mínima atração por homens e que isso continua fazendo de vc uma mulher bissexual. Sempre me considerei lésbica e continuo me considerando, pois minha parte afetiva está totalmente voltada às mulheres, mas confesso que alguns homens conseguem me despertar atração sexual, não no mesmo grau que uma mulher desperta, mas isso existe dentro de mim apesar de nunca ter sido concretizado e hoje eu também não renego mais, é algo que sei que existe e que se acontecer tbm está tudo bem :) Obrigada por compartilhar a sua experiência e parabéns mais uma vez pelo ótimo texto! Beijos 😘

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