Entre Tapas e Beijos

Guia de spanking

“ Só um tapinha não dói.”

(Um Tapinha Não Dói – MC Naldinho e /ou Bonde do Tigrão)
“ Quem foi que disse um tapinha não dói?”
( “Tapinha Dói – As Malandrinhas)

Em muitos filmes e clipes, especialmente dos Estados Unidos, é muito frequente ver os interpretes fazerem aquela conhecida mímica de dar tapinhas nas nádegas (próprias ou do “partner”) para sugerir um sexo mais “hot”, pra valer.

Um passinho adiante, temos  outra infinidade de imagens  de homens e mulheres com algemas, vendas nos olhos, chicotes, palmatórias,… como complemento ou parte essencial de uma boa transa ou pelo menos de uma transa diferente, mais ousada. Nada a estranhar, pois como jamais cansaremos de repetir: em matéria de sexo – desde que não envolva menores, incapazes, ou dependência psíquica ou emocional – não existe certo ou errado, existe o que funciona, o que dá prazer. Ou não.

Os relatos de pessoas que curtem umas palmadinhas como caminho para chegar ou aumentar o prazer são muito mais antigos do que você pode imaginar e não param de crescer.  A lista inclui qualquer matiz do arco-íris dos gêneros, inclui gente de qualquer nível social e econômico e até mesmo respeitáveis intelectuais de renome internacional. Por outro lado, infelizmente, também são frequentes, talvez até mais, relatos de violência, abusos, Lei Maria da Penha, etc…

E então como fica?

Você certamente já ouviu a expressão é “bom de doer”.  Pois é, a natureza humana é complexa, diríamos até sofisticada e por isso mesmo paradoxal.

Pergunte a uma pessoa qualquer se ela gosta de sensações de aflição, medo ou terror e a resposta mais comum será: “- Não”. Mas então, como explicar as filas em montanhas-russas ou a quantidade e o sucesso que fazem filmes de suspense e terror?  Pense na bilheteria de filmes como “Massacre da Serra Elétrica” (I, II, II ou IV), “A Hora do Espanto” (I, II, II, IV, V, VI… ) e volte a refletir sobre a pergunta acima.

Veja também:  Dicionário do sexo: saiba mais sobre as gírias sexuais

São inúmeros os motivos pelos quais uma pessoa é capaz de pagar para sentir aflição num brinquedo de parque de diversões ou para se apavorar num filme de terror: picos de adrenalina no sangue, a sensação de alívio ou de superação que vem depois de cada sessão, etc. No entanto, em todas estas experiências, há 3 fatores indispensáveis:

a ) Poder de escolha – a compra de um ticket para montanha russa ou filme de terror é uma escolha, a pessoa faz por que quer e não porque está sendo ameaçada ou agredida por alguém;

b) Começo, meio e fim – a pessoa sabe antecipadamente que a sessão vai acabar, que em determinado momento aquilo tudo vai ter um fim.

c) Confiança: a pessoa acredita que os mecanismos de segurança da montanha russa vão funcionar e que os “perigos” e “horrores” da tela não são reais.

No campo do sexo também são estes mesmos 3 fatores que separam o prazer da violência ou do abuso

Então se você quer experimentar o “spanking” (é esse o nome em inglês) ou já experimentou, mas quer praticar com alguém ainda não conhece, vale a regra-base para introduzir qualquer modalidade mais ousada de sexo: pergunte antes ou vá explorando o terreno com cuidado e cautela. O papo, o diálogo, a combinação prévia fazem milagres para evitar constrangimentos ou desastres mais sérios.  Qualquer jogo ou brincadeira sexual tem de ser consensual, senão estaremos falando de outra coisa bem diferente: perversões.

O passo seguinte é proporcionar a sensação tranquilizadora do “começo, meio e fim”, item b da relação acima. Uma boa dica é combinar antecipadamente uma palavra de segurança para interromper ou para atenuar o grau do “spanking”.

Obviamente, suspiros e gemidos fazem parte do jogo, dependendo do grau a que as partes estiverem a fim, soltar um “não” ou “pare” querendo dizer o oposto (“mais” ou “não pare”) também faz parte do “script”.

Assim, opte por palavras fáceis que não tenham nada a ver com coisa, como “sorvete”, “praia”, “algodão”, etc..   Sempre que a palavra de segurança previamente combinada for dita, imediatamente a sessão deve parar ou reduzir a intensidade.

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Estando as partes de acordo, estabelecidos os limites e o mecanismo de  “liga-desliga”, então experimentar as possibilidades do “spanking” não fará mal. Aliás, de acordo com muuuita gente que já provou e continua “provando”: só faz bem.

O “spanking” , assim como várias outras modalidades, não tem receita infalível:

– há pessoas que adoram e outras para as quais simplesmente não funciona ou é desagradável.

– as pessoas tem sensibilidades diferentes, algumas têm tolerância maior para dor e sensações extremas, para outras, o prazer proporcionado pelo “spanking” só funciona em determinadas áreas: nas nádegas (a mais comum), nos seios, nas costas, nos pés,…

Dicas e sugestões:

O spanking frequentemente faz parte de várias fantasias. Da mesma forma como sabores cítricos ou apimentados podem aguçar o paladar, palmadas e leves chicotadas podem ser um elemento de excitação, estimulando a corrente sanguínea e a produção de adrenalina e/ou dopamina. Como uma massagem em nível mais profundo.

A maioria dos adeptos desta modalidade identifica a parte inferior do traseiro (nádegas, bunda), logo acima das coxas, como o ponto ideal. É recomendável começar com palmadinhas leves e ir aumentando a intensidade aos poucos, conforme os olhares, gemidos e outras manifestações do (a) parceiro (a) sinalizarem agrado ou desagrado.

Alternar palmadas e “castigos” com carícias suaves e até cócegas também pode ser uma boa opção. Atenção: encontrar o ritmo adequado é fundamental.

O processo de descoberta dos pontos e da medida certa para cada um deve ser feita gradualmente e faz parte do jogo. Palmatórias e chicotes podem proporcionar “carícias” mais intensas.  O spray esquenta-esfria pode ser um bom aliado.

Então, basicamente, ficamos assim: se parceiros e parceiras trocam palmadas, palmadinhas, chicotadazinhas e isto dá ou aumenta ou o prazer, sabem o ponto certo e a hora de parar, e existe uma relação de cumplicidade: é spanking, e aproveite esta brincadeira que pode ser “bom de doer”.

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