Feminismo, opinião e amor

Nunca fui mal amada. Sempre fui e continuo sendo muito amada, de várias formas e de jeitos diferentes. 2018 e cês ainda vêm com essa lógica de: se vc não aceitar o que tem aí vc vai ficar sozinha?

bemamada

Tive que ouvir esses dias que eu falo o que falo dos homens porque sou “mal amada”.

Para objetivos didáticos e reflexivos:
Nunca fui mal amada. Sempre fui e continuo sendo muito amada, de várias formas e de jeitos diferentes. Sei que o energúmeno estava se referindo a um relacionamento “romântico” heteronormativo, mas essa é apenas uma forma de amor de tantas e tantas que usufruo. Tenho uma família incrível e as irmãs mais maravilhosas do universo que me amam, tenho amigues fodas, uma rede linda de mulheres artistas, criadoras, ativistas. E, sim, tive relacionamentos, o mais longo de sete anos com um homem que sempre me amou. Eu decidi terminar por vários motivos mas ele continua me amando – claro que um amor que foi se transformando – até hoje.

Sempre fui amada e a opinião que formo dos homens não têm nenhuma relação com falta de amor (nem falta de homem, porque sei bem que é isso que a pessoa quis dizer). O que mais tem aí é homem gente, mas o que mais acontece é eu concluir que eles não têm o nível mínimo de desconstrução que considero necessário pra interagir com a minha pessoa (que está sempre aumentando porque a gente evolui nessa vida) e abortar a missão – ou não, depende. E se eles insistem muito eu falo que não vai rolar porque não sou obrigada a ser didática e babá de homem que não está genuinamente correndo atrás de se desconstruir. (ou, pior ainda, que se acha o desconstruidão da porra toda mas reproduz os comportamentos esquerdomachos de cartilha e vem com soberba pseudo-intelectual pra cima de mim). Ponto.

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Não adianta omi falar que ” todo homem é machista, eu tento ser menos pior, eu sei que ser homem significa ser o opressor, blá blá blá” e na prática continuar um babaca condescendente. Os que nem sequer compreendem que TODOS os homens criados em uma sociedade patriarcal são machistas eu nem gasto minha beleza pra dialogar. Novamente: não tenho obrigação de ser didática com ninguém e não vou dar biscoito pra esquerdomacho: os homens que devem ter o interesse de correr atrás e deixarem de ser misóginos.

Então, amiguinhes, quando eu exponho esquerdomacho é porque temos que parar com essa romantização masculina, parar de nivelar por baixo, de aceitar o que tem por aí.  E nem sempre falo por experiências em relacionamentos meus, muitas vezes são situações com amigos, colegas, ou parceiros de amigas. Enfim, o machismo está em todos os lugares.

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“Ah, mas assim vc vai ficar sozinha”
Eu: HAHAHAHAHAHAHAHAHA

Primeiro que, sozinha, NUNCA. Tenho amigues, tenho amantes, tenho amoras, tenho os amigues colorides que tão aí pra isso, tenho família, tenho irmãs e, principalmente, tenho eu mesma. A gente é criada pra achar que não somos plenas o suficiente e que precisamos  necessariamente de relações românticas. E isso é também fruto do heterocapitalismo patriarcal.
A cada dia tenho mais consciência que não quero um relacionamento padrão/hétero/monogâmico, não quero casamento, filhos, cachorro no quintal. Isso não me interessa.

Preciso de ar, preciso de uma liberdade profundamente intensa para que eu possa ser, plenamente, incontestavelmente, absolutamente aquilo que eu quero ser.
E – convenhamos – 2018 e cês ainda vêm com essa lógica de: se vc não aceitar o que tem aí vc vai ficar sozinha? Minha bizavó já dizia em mil novecentos e bolinha “antes só do que mal acompanhada”.
Não devemos aceitar, em nenhum circunstância, nem um pouco menos do que merecemos.
E quem decide o que eu mereço, amiguinhes, sou EU.

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