Don't Photoshop Me

dontphotoshopme
#dontphotoshopme by Maria Ribeiro
"Uma mulher se amar, dentro de uma sociedade que faz de tudo para que ela se odeie, 
é um ato revolucionário"
(Maria Ribeiro)

Não é mais segredo para a mulher contemporânea que as imagens de beleza têm sido usadas contra nós mesmas. Os padrões estéticos irreais impostos pela mídia alimentam uma indústria que lucra milhões nos vendendo inseguranças. Além disso, nos deparamos com uma situação em que acabamos empregando uma quantidade imensa de tempo, recursos, energia e dinheiro na busca incessante pelo “corpo perfeito” enquanto poderíamos colocar todo esse potencial em áreas que realmente nos trazem satisfação.

O livro “O Mito da Beleza” de Naomi Wolf, tem um setor que trata apenas da influência de revistas femininas na evolução das mulheres na sociedade e, dentre outras questões, traz o seguinte trecho (atualmente o termo “revistas femininas” abrange também mídias virtuais)

“Eu as compro”, disse-me uma mulher ainda jovem, “como uma espécie de ultraje a mim mesma. Elas me dão uma estranha sensação, um misto de expectativa e pavor, um tipo de euforia artificial. Sim! Uau! Posso melhorar a partir deste exato instante! Olhem para ela! Olhem só para ela\ Mas, logo em seguida, tenho vontade de jogar fora toda a minha roupa e tudo que estiver dentro da geladeira, de dizer ao meu namorado que não me telefone mais e de destruir toda a minha vida. Tenho vergonha de confessar que as leio todos os meses.”

Esse trecho ressalta a extrema influência da mídia nas nossas vidas. A mídia é nossa forma de comunicação em sociedade, ela traz as construções de crenças, padrões de comportamento, beleza e sucesso que compõem a nossa identidade enquanto seres sociais.  Através desses conceitos construímos nossa própria referência e nosso parâmetro, tanto referente a nós mesmas quanto ao mundo que nos cerca.

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Assim sendo, é inerente a conexão entre os padrões de beleza disseminados por essa mídia e a forma como as mulheres sofrem diante de uma estética infinitamente excludente. No leque da extrema falta de representatividade da mulher na mídia em geral, temos um elemento especialmente complicado que é a manipulação dos nossos corpos. Ou seja, a criação de um modelo estético irreal, desenvolvido especificamente para nunca ser atingido. Dessa forma, a escravização permanente das mulheres está garantida, pois nem mesmo a própria modelo aparenta ser do jeito que ela é exposta. Quantos casos temos nos últimos anos de modelos confessando que não se reconhecem nas fotos após passarem pela manipulação?

Essa é uma das formas mais covardes de interferir na relação das mulheres com seus corpos, pois mesmo na indústria plus-size a manipulação das imagens continua nos vendendo um ideal de corpo plastificado, de proporções precisas, sem estrias, celulites, rugas ou manchas. Ou seja: novamente, um corpo que não existe.

A luta pela real representatividade na mídia é árdua e longa, já que lidamos com um padrão estético misógino, racista, ageísta, gordofóbico e extremamente excludente. Acredito, no entanto, que o primeiro e importante passo nesse processo é pararmos de manipular os corpos das mulheres. Alterar as formas e características de corpos naturais é uma afirmação de que eles não são suficientes. É jogar na cara de milhões de mulheres no mundo inteiro que todas as características que fazem seus corpos serem como são estão erradas, são imperfeitas e devem ser alteradas.

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É importante entender que quando falamos dos nossos corpos não estamos falando apenas de estética. Estamos falando de um sistema que nos controla, nos diminui e nos ataca através dos nossos corpos. Citando novamente Naomi Wolf: “se a gente resolvesse desistir, chegar em casa um dia e falar que não queremos mais ter voz,  votar, ter orgasmos, ter empregos, igualdade salarial, direitos reprodutivos, etc, podem ter certeza que esses padrões estéticos imediatamente se afrouxariam.  Porque padrões mudam com o tempo e com a sociedade, os critérios são fluidos e se moldam naquilo que melhor nos controla em cada período de tempo e espaço. O importante para o sistema não é nosso peso em si, ou a textura do nosso cabelo, o que importa é o quanto aquilo está nos privando da nossa liberdade, da nossa auto estima e da nossa identidade.

Falar de representatividade na mídia é falar, simplesmente, sobre o reconhecimento da nossa humanidade.

Por isso, essa semana mulheres e coletivos de diversas partes do mundo vão postar fotos ao natural com a hashtag #dontphotoshopme, demandando que a mídia pare de agir como se os nossos corpos precisassem de modificação artificial para poderem ser expostos. Se você também acredita que isso é uma questão importante, compartilhe a hashtag nas suas mídias socias e envie para suas amigas e grupos de mulheres.

CHEGA de manipular nossos corpos.
Apenas PAREM.
#dontphotoshopme

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