Disruptivas

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Quem me conhece pelo menos um pouquinho fora desse mundo virtual sabe que fotografar é a minha vida.
Não apenas fotografar, trazer a mulher de um lugar de objetificação para um local de autonomia e protagonismo sobre nossas narrativas.

Nossas dores são reais,
nossas histórias importam
e nossas trajetórias são resistência.

Estou construindo uma trajetória dentro dessa proposta, uma caminhada muito linda, sim, mas também muito dolorosa. A sociedade do capital não é feita pra o que eu faço: o que eu faço não é interessante pra publicidade, o que eu faço não gera renda, não vende produto, não vende glamour, não vende corpos de plástico que faz com que uma indústria multimilionária dos produtos de beleza, cirurgias plásticas e tratamentos estéticos se sustente e cresça as custas das nossas inseguranças.

Não.

Eu faço fotos sim, mas na verdade o que eu proponho é uma experiência.
Um momento de descolonizar a narrativa sobre os nossos corpos.
Um momento de nos encontrar de forma pura e serena.
De trazer um novo olhar sobre como nos relacionamentos conosco mesmas.

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Porque eu acredito no que faço, fiz o Nós, Madalenas – Uma palavra pelo feminismo. Esse projeto virou livro, rodou o Brasil, foi pra escolas, universidades, ganhou o mundo, foi pra Nova York, foi premiado pela ONU, saiu em sites, revistas e jornais em mais de dez países.

Mas, mais profundamente, esse projeto mudou a minha vida. Eu comecei a compreender que ao estabelecer uma relação abusiva comigo mesma – diante de toda a pressão estética imposta pela sociedade – eu estava me permitindo viver relações abusivas em diversas outras áreas da minha vida: afetiva, familiar, profissional, social. Eu realmente acredito que uma mulher que não se ama não pode ser livre, e o sistema trata de fazer com que as mulheres não se amem nunca.

Falar dos nossos corpos não é fútil, não é superficial. Estamos falando de um sistema que nos ataca e mina nosso amor-próprio, nossa confiança, nossa autonomia, nossa força e nossa individualidade através dos nossos corpos.

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Falar dos nossos corpos é, simplesmente, falar da nossa humanidade.

Proponho usar as armas que usam contra nós a nosso favor.
Proponho usar a imagem, a fotografia, o cinema, a música, a aromaterapia, todos os recursos que tenho acesso e considero procedentes em uma experiência libertadora, transformadora e incrivelmente bela.

Uma experiência que traz a tona o processo de nos amarmos. Nos amarmos de verdade. E isso tem uma força ainda desconhecida até pra nós mesmas.

Eu acredito que isso é possível porque aconteceu comigo. Levei essa proposta para a ONU, para Nova York, Los Angeles e agora estou de volta ao Brasil com mais experiência, mais vivência e mais convicta de que isso é disruptivo, revolucionário e essencial.

Não para o sistema.
Não para o capitalismo.
Mas sim, pra nós, mulheres.

VEM que mulher é que nem água, quando se encontram transbordam!
Vamos transbordar juntas <3

www.mariaribeiro.me

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