Convidadx Cínicas

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Pessoais especiais são convidadas para compartilhar suas percepções sobre os mais diversos assuntos.

 

 

Veja os posts de Convidadxs:

Guia básico para não vestir a fantasia de boy errado do carnaval

O verão está a toda, carnaval está chegando, planilhas com todos os blocos de carnaval das cidades começam a pipocar nas redes sociais. Falta pouco para que a folia faça as pessoas esquecerem dos grandes dilemas modernos e ouvirem repetidamente as músicas do verão. Não se sabe quem será o pai da música do verão (e eu tenho apostas que será uma mãe lacradora) mas para que você, caro amigo homem, não se torne pai de uma criança nascida entre outubro /novembro de 2018, vire a mais nova fazendinha de DSTs ou passe pelo assediador chato dos bloquinhos, listei aqui embaixo bons comportamentos para garantir folia e quem sabe match no fim da noite.

Não é não
Se você nasceu na época em que a internet era discada e passou pelos exaustivos minutos de conexão, provavelmente ouviu de alguém a teoria de que mulheres possuem três tipos de nãos – dois quais apenas um deles era verdadeiro e todos os outros eram falsos. Pois muito que bem, venho do futuro e informo: É MENTIRA. Além disso também é papo de abusador. Sóbria, bêbada, recatada, de biquini de fita isolante ou fazendo uma explosão com a bunda no chão, se o flerte em questão te disser não, seja sonoro e alto, seja uma negativa tímida e meiga, NÃO É NÃO. Bola para frente, melhore o xaveco, tente outra, melhore no passinho do romano e beba muita água.

(Consentimento é simples. Se não é um sim, é não)

Se você é do tipo que não sabe ouvir não, ainda dá tempo de correr para uma terapia e aprender a lidar com a rejeição. Lembrando que agressão física é crime.

Não me pegue não, me deixe à vontade
Flerte, cantada, xaveco, nada disso envolve o toque não permitido de uma parte na outra. Tá proibido puxar cabelo, pegar pelo braço, pegar no joelhinho ou em qualquer outra parte que o Tchan já mencionou em alguma música de axé da década de 90. Chega, mas chega na moral. Pega umas dicas com o Marlon Teixeira de como se faz olhar sexy, bota tua melhor fantasia, se enche de glitter e umas cantadas que detenham o mesmo poder que a catuaba. Seus dedinhos e mãos tem utilidades depois do sim, antes mantenha-os longe.

(Não me toque)

Tira essa mão boba daí
A bonita disse sim, a sorte virou, agora você está com a língua roçando com a dela, só que isso não lhe dá o direito de fazer o menino polvo de começar a apalpa-la em público sem que ela permita. Há uma lenda entre homens que se não forçar, a mulher não libera, e isso é um mito tão grande quanto Ronaldo Fenômeno foi em campo com a amarelinha. Sente o feeling, dança conforme a música e ouça a garota que está aí te dando moral. Você não esperou o bloco inteiro para ser babaca, né?

 

Tem que ser com camisinha pra tu não pegar doença e nem deixar de barriga
Não foi babaca, o clima esquentou, conseguiu um algo para além do bloco. Use camisinha! E não vai lançar papinho que bebeu demais e não consegue ficar de pau duro quando usa o preservativo, que aperta, que você é limpinho, que no pelo é melhor ou que você é diferente. Estamos em plena epidemia de sífilis no país, faça sua parte e encape essa linguiça. Retirar o preservativo durante o ato sem a permissão da parceira é falta de caráter.

 Não se fantasie de rodo
Engana-se quem acha que não se vestir de rodo é um apelo para que, em plena festa da carne, você se torne monogâmico. Eu espero que ninguém decida esperar. Mas quem vive de passar pano é rodo, tá vendo o amiguinho ser um bosta? Tá com vergonha alheia? Não olhe para o lado e nem vá na onda. Se mete, não silencie quando ver mulheres tendo seus direitos a diversão e liberdade roubada por alguém. Não faz a egípcia nem a tímida. Não fica passando pano pra enxugar a vergonha que alguns passam no calor do carnaval.

IMPORTANTE
 O estupro cometido contra pessoa sem capacidade ou condições de consentir, com violência ficta, deixou de integrar o art. 213 do CP para configurar crime autônomo, previsto no art. 217-A, sob a nomenclatura “estupro de vulnerável”. Seu teor é o seguinte: “Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. § 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas nocaput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. § 2º (Vetado.) § 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. § 4º Se da conduta resulta morte: Pena – reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos”.

Se você, amiguinho, pega mulheres bêbadas, inconscientes ou droga garotas para fins sexuais, o nome disso é crime e no mínimo você deveria passar um tempo no xilindró.
MACHISTAS OTÁRIOS NOS DEIXEM EM PAZ.

Me dá a mão, me abre o seu coração irmã

“Se vc tivesse mais peito vc seria insuportável, porque esse é o seu único defeito” – ouvi uma pessoa falar isso para uma amiga. Na hora pensei comigo que essa era a ofensa disfarçada de elogio mais cretina que já tinha ouvido. Estava a ponto de entrar na conversa quando ela acrescenta: “eu tinha o corpo tão parecido com o seu, sabe, me falaram a mesma coisa quando eu era mais nova. ”

Aí lembrei. Lembrei que pra ela estar reproduzindo esse discurso tão energúmeno, claro que ela sofreu essa violência. O ser humano reproduz as opressões. É o cúmulo da hipocrisia falar isso pra uma mulher, principalmente uma adolescente, e dizer que não sabe que ela vai ficar obcecada com a falta de peito – ou de bunda, ou uma estria, gordura, uma celulite, uma mancha – seja qual for o defeito que vc estiver apontando. Porque a sociedade nos faz ser assim – estamos lutando, árdua e bravamente para desconstruir esses conceitos – e quando uma coisa dessas vem de uma pessoa querida é ainda mais difícil identificar. E é esse tipo de situação que dá vontade de sentar, chorar, arrancar os cabelos e desistir de tudo.

Mas a gente não desiste. A gente respira.
Uma, duas, muitas vezes.
Respirar é importante.

Ana por Maria Ribeiro

Começo a pensar nas gerações de mães, tias, amigas, irmãs que perpetuaram esse círculo de opressões, de alfinetadas, ofensas disfarçadas. Legiões de mulheres machucando e sendo machucadas, sangrando e infringindo sangue nas filhas, sobrinhas, afilhadas, netas. Mulheres que amam, pessoas próximas, pois onde há mais amor é, também, onde mais facilmente deitam-se as mágoas.

Nossas trajetórias são banhadas em sofrimentos velados, em espinhos marcados, em lágrimas derramadas nas águas do banho ou nas sombras dos travesseiros. Quantas dores, quantas amarras, quão sofridos são os machucados escondidos, reprimidos, oprimidos por um massacre emocional que gerações de mulheres sofreram, ainda, caladas. Vislumbro uma imagem de pés descalços furados de espinhos, banhados de sangue, mas caminhando. O peito arranhado, cortado de facão, o corpo arroxeado, marcado de pedras, mas caminhando. Caminhando e deixando as pedras no caminho, os espinhos, os punhais, atirando-os nas próximas gerações.
Como interromper esse círculo de opressão?

Mônica por Maria Ribeiro

A nossa geração é a que está falando sobre isso, trazendo a tona os comportamentos viciosos, destrutivos e velados dessa sociedade que odeia as mulheres. Odeia tanto que faz com que elas destruam-se umas as outras.

Mas não, né?
Mas chega.

Deusas me dibrem de reproduzir essa cretinice com minhas filhas, sobrinhas, afilhadas. Mas pra não passar pra frente esse tipo de comportamento é preciso também parar de recebê-lo porque, receber e estocar dentro da gente, também não tem condições. Assim a gente explode. E pra mim foi bem marcante quando comecei a identificar esses ataques.

Deixa eu explicar uma coisa pra vcs, mães, tias, amigas, madrinhas, avós: se uma pessoa engordou, ela sabe disso. Eu garanto pra vc que ela está ciente desse fato. Se ela está com uma mancha no rosto, também te asseguro que ela já tem conhecimento. Ela tem espelho em casa. Ela tem roupas. Ela sabe do seu peso, das suas manchas, da sua celulite, espinhas, estrias, formato do corpo. E já é difícil e sofrido o suficiente lidar com uma sociedade que fomenta um padrão de beleza misógino, excludente, racista, gordofóbico e eurocêntrico. A quantidade de mulheres que sofre de distúrbios alimentares (vício/compulsão alimentar, anorexia, bulimia, etc), depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outros, por pressão estética, é assustador. Então, migas, parem de falar sobre o corpo e a aparência das coleguinhas. Apenas pare. Somente isso: não fale. Sabe quando vier aquele ímpeto de fazer algum comentário? Então, não faça. Isso é invasivo, violento, nocivo e desrespeitoso. Você está machucando e prejudicando uma pessoa que você ama.

Sabe o que vc pode fazer? Pode substituir uma ofensa velada por uma conversa interessante sobre os outros aspectos da vida dela, por exemplo. O trabalho, a viagem, os amigos, o que ela gostaria de fazer. Incentive as mulheres a se ocuparem com outras coisas que não sua aparência. A gente gasta uma quantidade tão imensa de tempo, energias, recursos e dinheiro em questões estéticas, enquanto há tantas outras coisas interessantes que podemos nos empenhar. Vamos falar sobre cursos, hobbies, cinema, literatura, séries, astrologia, música, teoria das cores, enfim, o céu é o limite! Ou não, vamos pra lua, pra marte. Pra onde quisermos.

Miriam por Maria Ribeiro

Vamos cessar esse movimento destrutivo entre mulheres. Vamos passar acolhimento, amor, compreensão, respeito e empoderamento para as próximas gerações. E elas também precisam desconstruir o conceito que têm de gerações mais velhas, pois isso também é um elo quebrado na nossa corrente. Como disse Naomi Wolf:  O envelhecimento na mulher é “feio” porque as mulheres adquirem poder com o passar do tempo e porque os elos entre as gerações de mulheres devem sempre ser rompidos. As mulheres mais velhas temem as jovens, as jovens temem as velhas, e o mito da beleza mutila o curso da vida de todas.

Deusas me dibrem, novamente, de deixar passar a oportunidade de envelhecer empoderada, amando a mim mesma e ao meu corpo, meus sinais do tempo, minhas rugas e meus cabelos brancos. Pelo menos em algum grau, trabalhando pra isso. E de desperdiçar uma fase tão importante da vida competindo, alfinetando e massacrando as gerações mais novas. Precisamos reconstruir esses elos entre as gerações de mulheres. Nós nascemos para sermos melhores amigas, conselheiras, porto seguro, companheiras de luta. Porque ninguém entende uma mulher melhor que outra mulher. Vamos seguir juntas! Me dá a mão, me abre o seu coração, irmã, vamos tirar os espinhos desses caminhos. Vamos atirar fora os punhais, jogar longe as pedras, deixar apenas sombra e água cristalina nessas trilhas, que as caminhantes já chegam cansadas dessa luta.

Pabline por Maria Ribeiro

Vem, amiga, vamos arrancar esses espinhos dos pés, fazer curativos nessas feridas, que a gente também não merece essa dor. Vamos passar água fresca nesse corpo, bálsamo nesses cortes, lavar esse sofrimento dos nossos passos. Vamos parar um pouco essa caminhada pra nos dar um tempo de cura. Vamos pegar os óleos, acender as luzes e bailar nessa clareira, pois só assim teremos um coração livre.

Porque a gente, irmã, só pode dar o que tem.
E só temos o que criamos.
Vamos criar juntas.

O conceito hipócrita de saúde: Corpo x Mente

Durante minha vida, já perdi as contas de quantas vezes as pessoas me disseram: “você precisa emagrecer um pouco, cuidar da sua saúde” ou “você não pratica nenhum esporte? Isso não é bom pra sua saúde” e tantas outras frases que, embora estivessem fantasiadas de preocupações, eram mais para impor padrões em cima de mais uma menina gorda. Porém, esse papo de *você precisa cuidar da sua saúde* é tão hipócrita que me dá nojo e eu explico o motivo.  CLARO que temos que cuidar da nossa saúde, mas atrelar isso ao corpo da pessoa é tão superficial, cara. Saúde não se resume a um corpo magro, na verdade não se resume a formato de corpo, isso é ridículo, na verdade. Já que com essa “estereotipação” do corpo, a sociedade acaba tornando doentes pessoas que eram saudáveis. Pessoas doentes com transtornos alimentares – e essas doenças são (de certa forma) aceitas, afinal, resultam em um corpo magro.

Quantas das pessoas com esse discurso fazem exames periódicos? Quantas se preocupam em saber se sua saúde mental tá boa? Por volta de 1 ano e meio atrás eu comecei a ter crises de ansiedade severas, ataques de pânico e depressão. Há 1 ano e meio eu comecei a terapia, comecei meu tratamento e ainda não estou livre, porque a gente não fica livre dessas coisas, a gente até consegue ter um controle maior dessas angústias que a cabeça traz, mas não vai embora, sabe? E nesse 1 ano e meio só eu e Deus sabemos quantas vezes eu ouvi que eu devia ser mais forte, que eu *não podia* me deixar abater (como se fosse fácil assim, né?) e que eu sou viajada demais por pensar nas merdas que a ansiedade me faz pensar, por achar que sempre algo ruim vai acontecer, por sempre achar que as coisas que eu mais quero darão errado.

Eu tenho TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) num grau bem baixo e já é aterrorizante e angustiante, imagina pra quem sofre com isso de forma intensa? E as pessoas acham que é só parar, que é só não fazer, que é só esquecer. PQP! Quem dera fosse fácil assim, quem dera resolvesse fácil assim. No começo disso tudo, eu não dormia, eu não ficava sozinha, eu tinha dificuldades para trabalhar, eu chorava demais, eu não conseguia ter relações sexuais, eu não tinha vontade de nada. Fui diversas vezes pro hospital achando que estava morrendo, quando na verdade eu estava tendo uma crise de ansiedade e os calmantes eram injetados na minha veia pra eu me acalmar. Eu desenvolvi gastrite e esofagite, não por ser gorda e só comer besteira, mas por estar sempre tensa. Eu engordei porque me deu uma compulsão alimentar e não é só parar de comer, que fique BEM CLARO, é algo muito maior que isso. Não é fácil passar por tudo isso, não é simples e não é barato. Eu tenho a sorte de poder fazer terapia, de poder passar no meu médico, de ter dinheiro para comprar meus remédios. E quem não tem? Por isso, de coração mesmo, se você conhece alguém que sofre com a saúde mental, que tá com dificuldades pra se erguer, que tá com dificuldades pra fazer algum tratamento por não tem dinheiro, dê apoio e suporte. Você não precisa entender sobre o assunto, você não precisa fazer muito, só ouvir e mostrar que você está ali. Quando a gente cai num buraco desse, tudo que a gente precisa é de pessoas que nos mostrem que vale a pena sair e que tenham paciência pra nos ajudar e levantar.

 

Mulher negra ganhou espaço na publicidade brasileira, aponta pesquisa

Pesquisa revela evolução, mas ainda estamos longe de representar a sociedade brasileira

Os negros representam mais da metade da população brasileira e, mesmo assim, temos dificuldade de enxergar essa realidade nas peças publicitárias. Isso se deve ao racismo que ainda está enraizado na nossa sociedade.

A mulher negra ganhou representatividade na publicidade brasileira, segundo pesquisa da agência Heads, empresa signatária da campanha He for She, da ONU Mulheres. Os números também revelam que 21% das protagonistas de campanhas veiculadas na televisão no segundo semestre de 2017 eram negras, sendo que no primeiro semestre o índice é de apenas 4%.

Em 91% dos casos as mulheres negras aparecem empoderadas, se tornaram protagonistas e aparecem exercendo papéis de destaque nas propagandas, deixando de lado os estereótipos sociais.

Celebridades

A influência de personalidades negras foi essencial para o aumento dessa representatividade. Entre as celebridades que foram vistas na propaganda ano passado estão a apresentadora Bela Gil, a atriz Sheron Menezes e as cantoras Karol Conka e Preta Gil.

Homem negro

O levantamento analisou 5,8 mil peças publicitárias exibidas na TV – também mostrou que o total de homens negros em propagandas foi bem mais baixo do que o das mulheres, ficando em 8% no segundo semestre do ano passado.

Outras minorias

Somente 0,12% das campanhas veiculadas no segundo semestre de 2017 mencionaram os portadores de algum tipo de deficiência. A população LGBT também foi deixada de lado, aparecendo em 0,33% dos conteúdos.

Alunos criam aplicativo para analisar representatividade feminina no cinema

Ser mulher nunca foi uma tarefa fácil e essa realidade é ainda mais notória quando falamos de mulheres no cinema

Você já ouviu falar do “Teste de Bechdel”? Ele questiona se uma obra de ficção possui pelo menos duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem.

Parece simples, mas diz muito sobre a representatividade feminina no cinema e, acredite, muitas obras atuais ainda não passam no teste.

Será que em 5 minutos você consegue listar pelo menos 3 filmes que se encaixem nessas regras?

  1. Tem que ter no mínimo duas mulheres, com nomes
  2. As mulheres conversam uma com a outra
  3. Sobre alguma coisa que não seja um homem

Eu tenho certeza que você não conseguiu listar, não é mesmo?

Aplicativo “Alice”

Quatro estudantes do Centro Técnico Científico da PUC-Rio (Ana Cardoso, Felipe Viberti, Gabriella Lopes e Guilherme Marques) desenvolveram “Alice”, um aplicativo que lista a representação de mulheres no cinema mundial. Foi inspirado em Alice Guy, visionária francesa que se tornou a primeira diretora e roteirista de filmes ficcionais.

Mais de 5 mil produções listadas passaram no teste de Bechdel pelo aplicativo, mas apenas 6% receberam o selo “Mulheres na Equipe”, que é atribuído para qualquer filme que possua, pelo menos, uma mulher em cargos de direção e/ou roteiro.

O aplicativo é gratuito e conta com 60 mil páginas de filmes e perfis de 42 mil mulheres que trabalham na indústria cinematográfica.

Cinema e machismo

O cinema apenas reflete o mundo machista em que vivemos, claro que já podemos ver algumas mudanças neste cenário, mas ainda não é suficiente.

A diferença está tanto em frente às câmeras quanto nos cargos de produtores, roteiristas, diretores e outras funções que são parte do fazer do cinema. Mesmo assim o público feminino consome metade dos ingressos vendidos.

Ação de verdade

Com a disseminação da pauta feminista de forma massiva na internet, novas portas estão sendo abertas no cinema. Antes esse cenário seria impossível de imaginar.

A representatividade feminina no cinema vai além, uma vez em que as protagonistas dos longas, principalmente de ação, seguem padrões estéticos quase impossíveis de ser alcançados, a mulher é sexualizada e objetificada mesmo quando o foco é outro.

Nossa luta é diária, queremos ser representadas pela nossa força e não pelo nosso corpo.

Sou sádica, e daí?

Sou sádica na cama. Ponto. O motivo por que sou eu ainda estou descobrindo. Há algumas hipóteses. Uma delas é que o cara que me abusava me estrangulava durante o abuso até que eu perdesse a consciência. Hoje, na cama, também gosto de estrangular.

Segundo minha terapeuta, pode ser que meu cérebro de criança simplesmente relacionou afeto, demonstração de amor e prazer, com a dor. Sendo o meu abusador um cara muito próximo, da família, a minha visão de criança, com o corpo ingênuo, com a sexualidade em desenvolvimento, com a personalidade em formação, aquilo era pura demonstração de afeto. Digo isso termos de estrutura psíquica, de construção do inconsciente.

Muitas meninas que sofrem abuso na infância se sentem culpadas porque acreditam que gostaram daquilo, quando na verdade, o corpo delas simplesmente reagiu fisiologicamente ao ato para suportar o insuportável. O cérebro confundiu aquilo com amor, com cuidado. Crescemos e aprendemos o que é certo e errado. Caiu a ficha de que fomos abusadas e automaticamente nos jogamos na fogueira da culpa, nojo e vergonha.

Meu cérebro se estruturou assim. Meu abusador me ensinou a dominar sem nem saber que era “professor”. Seja na esfera emocional ou seja na cama, estou sempre querendo dominar. Afinal, foi isso o que ele fez comigo, não? Dominou-me, sem chance de escapar. Não quero dizer com isso que o sadismo é fruto de abuso. Estou apenas compartilhando a minha experiência, minha história de vida e o por que tenho tanto prazer em causar dor.

Mas vamos lá! Pensemos um pouco… Sendo o sadismo, hipoteticamente, fruto do abuso, o ele é ruim? Bem, a minha mulher adora. No início, eu me sentia muito culpada de querer sufocar alguém durante o sexo, de machucar de uma maneira mais pesada, de sentir prazer com a dor do outro. Eu mesma me exilei deste prazer. Reprimia minhas pulsões e o sexo nunca era tão satisfatório, parecia que sempre me faltava algo.

No dia em que me descontrolei e peguei pesado com minha ex, fui duramente exortada. E ela estava certíssima. Ela nem sabia que eu era assim! Se ela não gostava, não permitia, eu tinha que me controlar e respeitar. Mas ainda assim, não era o ápice do prazer que eu poderia atingir.au

Então conheci outra mina, muita masoquista. Parecia perfeito, mas simplesmente eu não conseguia colocar meu sadismo em prática, tinha medo de passar do limite e ser exortada novamente.

Fila andou e minha atual mulher já entrou na relação sabendo que eu era assim. Melhor coisa: seja sincera. Ponto. E diferente de todas, ela me deu espaço para ser o que sou, sem medo de machucá-la. Ainda não atingi o tal ápice, ainda não consegui expressar tudo o que sinto durante o sexo, sempre que sinto que vou extrapolar, eu travo e é incrível como ela percebe na hora e me incentiva a continuar.

Ali, em nosso santuário particular, tudo é permitido e consentido. Ainda não sei explicar porque sou assim ao certo, quais caminhos a minha mente trilhou até chegar à dominação, mas o que posso dizer, com toda certeza, é que ao fazê-lo, estou demonstrando o mais genuíno amor.

Agora, vamos começar a fazer terapia tântrica. Esquece a putaria que passou agora pela sua cabeça. Tantra não é isso. Aliás, é muito mais que isso, até porque, putaria é sempre bem-vinda. Mas nesta terapia, vou aprender a liberar o sadismo sem medo e entendê-lo um pouco mais.

Tapinha na bunda, puxão de cabelo, arranhadas e mordidas passam longe do meu jeito sádico de transar. Gosto de queimar, cortar, asfixiar… Eu gosto de ver a pessoa encarar a morte e voltar.

Dito isso, julguem-me.

Mulheres levarão 217 anos para ganhar o mesmo que os homens

Parece difícil de acreditar, mas de acordo com o Fórum Econômico Mundial, as mulheres terão de esperar 217 anos para ganhar o mesmo ou mais que os homens e ter uma representatividade igualitária no mercado de trabalho. O tempo é a maior diferença registrada em quase uma década e há uma diferença econômica de 58% entre os sexos.

É o segundo ano consecutivo que é registrada uma piora da desigualdade econômica, que é calculada medindo a quantidade de homens e mulheres que participam da força de trabalho, seus rendimentos e o progresso no trabalho. No ano passado, o Fórum afirmou que as mulheres alcançariam igualdade econômica em 170 anos.

Homens acham que está tudo bem

Os homens são mais propensos a pensar que o local de trabalho é equitativo; enquanto as mulheres veem mais espaço para melhorar. Na verdade, quase 50% dos homens pensam que as mulheres estão bem representadas na liderança em empresas onde apenas um em cada dez líderes seniores são mulheres. Além disso, 15% dos homens acha que serão prejudicados com ações do tipo.

O estudo Women in the Workplace 2017, também conduzido pela McKinsey em parceria com Lean In, tem uma hipótese forte para o avanço ser tão lento: não podemos resolver problemas que não vemos nem compreendemos claramente.

Além disso, a maioria dos homens não compreende completamente as barreiras enfrentadas pelas mulheres. Como resultado, eles estão menos comprometidos com a diversidade de gênero.

Veja quem foram as cantoras mais ouvidas no Spotify em 2017

A plataforma já liberou sua lista ‘retrospectiva’ de 2017 e tem muitas boas notícias coletadas de seu gigante banco de dados

A primeira boa notícia que a Spotify Year in Music trouxe foi a de que 19 dos 20 artistas mais ouvidos no Brasil são daqui mesmo e 17 das 20 músicas mais ouvidas também são brazucas. O levantamento revela as faixas, os álbuns e os artistas mais populares em todo o território nacional e também no restante do mundo.

Por aqui, o sertanejo dominou todas as listas. E não foi diferente com a artista mulher mais ouvida: Marília Mendonça ficou com esse título em 2017. A cantora conhecida por faixas como “Eu sei de Cor”, “Infiel” e “Alô Porteiro” também foi pauta sobre a importância da representatividade no gênero sertanejo, por ser uma artista com corpo “fora dos padrões” e pela autenticidade com que rebate as críticas que ainda rondam a indústria cultural.

Garotas no comando

Tem também uma lista de gringas que botaram pra quebrar e embalaram “hinos” e “lacres” para jovens ao redor do mundo. Com letras de empoderamento, liberdade e histórias de amor (por que não?), o Top 50 está cheia de nomes consagrados da música pop e – pasmem – encerra com Madonna.

As 20 artistas mulheres mais ouvidas no Spotify em 2017

  1. Rihanna

  2. Taylor Swift

  3. Selena Gomez

  4. Ariana Grande

  5. Sia

  6. Shakira

  7. Dua Lipa

  8. Nicki Minaj

  9. Katy Perry

  10. Alessia Cara

  11. Adele

  12. Camila Cabello

  13. Beyoncé

  14. Lana del Rey

  15. Halsey

  1. Lady Gaga

  1. Little Mix

  1. Bebe Rexha

  1. Lorde

  1. Demi Lovato

Confira a lista completa com as 50 artistas e suas respectivas músicas mais ouvidas

“Feminismo” é eleita a palavra de 2017 por dicionário americano

As buscas pelo termo cresceram 70% em relação a 2016 no site do Merriam-Webster

Pouco depois de divulgada a capa da revista Time, que celebra como personalidade do ano as mulheres que romperam o silêncio em casos de assédio e abuso, o dicionário americano Merriam-Webster elegeu “feminismo” como a palavra do ano em 2017.

O lexicógrafo e editor-chefe da companhia, Peter Sokolowski, revelou à agência de notícias Associated Press que as buscas pelo termo cresceram 70% em relação a 2016 no site da empresa. Ele atribuiu ainda a escolha ao protagonismo do movimento feminista em três eventos-chave nos últimos 12 meses.

Trajetória do termo

O ano começou com um pico de buscas pela palavra “feminismo”, em janeiro, com a Marcha das Mulheres, que abriu passagem para manifestações semelhantes em todo o mundo. Não só por isso, mas movimentos feministas e contra assédio foram pauta o ano inteiro em diversas situações.

O termo foi impulsionado também pelas declarações da chefe de campanha e atual conselheira de Donald Trump. “Eu não sou feminista”, frisou Kellyanne Conway, em frase que resultaria no aumento da circulação da palavra e sua definição. O presidente americano foi denunciado por assédio durante o pleito presidencial, o que tornou ainda mais central na vida pública o discurso feminista.

Meses mais tarde, o movimento “Me Too” (Eu Também) ganharia visibilidade com o escândalo de assédio sexual do mega produtor de Hollywood Harvey Weinstein. As acusações contra o magnata da indústria cinematográfica motivaram outras mulheres, artistas e anônimas, a relataram suas experiências de abuso.

Não é de hoje

O termo “feminismo” estava há anos no top 10 anual do dicionário. Em 2015, compartilhou o prêmio com uma lista de “ismos”: socialismo, fascismo, racismo, comunismo, capitalismo e terrorismo. No ano passada, a palavra eleita foi “surreal”.

Um estudo divulgado pelo Google BrandLab em outubro deste ano mostrou que os brasileiros têm, cada vez mais, se interessado pelo feminismo. Nos últimos dois anos, o número de buscas aumentou 200%. Com isso, o número atingiu um patamar próximo ao de buscas por racismo, que é o termo relacionado a diversidade de maior interesse para os brasileiros. Inclusive, as buscas por feminismo negro também cresceram 65% nos últimos 12 meses.

A (nada fácil) vida sexual da mulher gorda

O início da vida sexual (geralmente na adolescência) costuma ser um momento conturbado, cheio de dúvidas, inseguranças e medos. São hormônios, sentimentos, desejos novos que temos dificuldade de entender. Mas tudo bem, grande parte dos seres humanos passam por isso, então começamos a entender o que as vontades querem dizer, começamos a nos conhecer e querer conhecer o corpo de outra pessoa.

Porém, quando se está fora do padrão de beleza imposto pela nossa maravilhosa,a sociedade, quando não se tem um corpo julgado como perfeito, com uma vagina “linda”, uma bunda lisa, peitos consideravelmente empinados e uma barriga chapada, a tendência (e digo isso baseado na minha vida e nas minhas experiências sexuais) é nos reprimir e nos esconder logo de cara.

Perdi minha virgindade com quase 17 anos, não foi nada lindo, não foi com alguém que eu amava e foi bem fora do que eu havia pensado. Eu fiquei completamente vestida, abaixada e com as calças no joelho, na hora não acho que eu percebi o quanto isso poderia ser um problema no futuro. Fiquei com esse cara por um bom tempo, mas eu sempre queria transar de luz apagada e o mais tampada possível, mesmo que com alguma coberta. Além disso, eu não sabia falar muito sobre minhas vontades, afinal ele já estava fazendo sexo comigo, garota gorda, então tudo bem né, ele já era legal por isso.

Com o tempo a questão do meu corpo ~durante o sexo~ foi deixando de ser um problema pra mim, porém não para os embustes com quem eu me envolvi ao longo da vida. E eu percebi que me esforçava muito para agradar os boys lixo com quem eu ficava, como se precisasse compensá-los de alguma forma. E também comecei a notar que MUITOS CARAS queriam transar comigo, mas não queriam ficar comigo em público. EU TO FALANDO BEM SÉRIO!

Eu sei que muita mina, independente do corpo, já deu pro cara e o cara sumiu, não to desmentindo isso jamais, até porque boy lixo é boy lixo independente da deusa que tá com ele. Mas cara, eu via os trastes comentando o corpo de outras minas, eu via eles ZOAREM outras meninas, eu fiquei sabendo que um me empurrava pro outro (eu ficava com quem queria tava cagando se eram amigos ou não, eles viviam querendo minhas amigas). Eu os VIA E OUVIA falando das minhas amigas e do quanto pagavam pau pra elas e, cá entre nós, eu sempre fui a única gorda do rolê.

Então assim, eu DEMOREI PARA UM CARA#$*pra me soltar, me impor, me amar e me achar um tesão, afinal, os embustes queriam transar, então aproveitavam da minha baixa autoestima para me ‘conquistar’ e depois fingiam que nem me conheciam (não todos, but wherever).

Hoje eu MELHOREI muito em relação ao meu corpo, a minha sexualidade, ao meu tesão e tudo mais, se minha namorada (sou Bi e isso é assunto pra outro texto) quiser me iluminar com holofotes, eu deixo, porque além dela amar cada imperfeição minha, eu amo cada detalhe meu.  

 

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