Conto: O boto negro

o boto negro

Já passava das dez horas enquanto eu lutava contra a ressaca estirada na areia fina e clara de uma das praia de Alter do Chão. O sol lambia minha pele enquanto a brisa soprava sem parar causando uma estranha e prazerosa sensação de choque térmico naquela manhã paraense. Como se em uma miragem, em meio a água doce surgiu Rafael, um homem forte, de longas tranças e um belo volume na sunga azul. Era como se fosse uma ilusão: ele saindo do rio e minha boca seca voltando a salivar por ele.

Foi questão de tempo para que acenasse e eu correspondesse pois já havia passado da hora de lutar contra aquele finzinho de dor de cabeça que cismava em me importunar. De perto era mais fácil ver a pele negra dele, reluzia deixando os músculos mais aparentes, a sunga azul contrastava, deixando o oblíquo mais à vista – era possível me imaginar passeando com a língua naquelas coxas, me esfregando em toda a extensão da sua pele e pequena penugem, sentindo o cheiro do sexo. Tudo isso se passava na minha imaginação enquanto ele falava algo sobre procurar um bom lugar para ver o pôr do sol. De repente ele me puxa de volta à órbita, agora mais perto do meu rosto e eu leio nos lábios dele

– Quer ir? Demorei para conseguir focar exatamente no que ele emitia, a proximidade dos lábios dele do meu rosto me fazia ficar hipnotizada e fantasiando com aquela boca passando pelo meu pescoço, descendo pelas costas, mordiscando minha bunda, lambendo minha barriga, respirando entre as minhas coxas, soltando ar quente e me forçando a implorar por ele.

Mais uma vez fui forçada a voltar para a realidade. Deixei ele estendido na minha canga e fui me refrescar na água. Estava em delírios por causa daquele homem e permanecer ao lado dele fingindo que ouvia o que ele insistia em tagarelar só piorava minha situação, precisava colocar a cabeça no lugar e me refrescar. Nesse momento já era quase meio-dia, meu corpo já estava quente do sol e do cheiro dele. Mergulhei, voltei para a canga e decidi que já era hora de tomar sol de bruços. Me virei e como se ele lesse minha mente se ofereceu para me passar protetor solar. Sorri, era claro que eu aceitaria que aquela mão grande passeasse pela extensão do meu corpo.

O creme denso e gelado pingando na minha pele, aquelas mãos de jogador de basquete começam pelos meus ombros a grand tour. Desceram acompanhando minha coluna, e do meio deslizando para os cantos. Com a desculpa de espalhar melhor a loção, senti a parte de cima do meu biquini se soltando, ele riu e disse que a peça atrapalhava. Fiz alguma brincadeira boba, quis deixar claro que ele estava em território livre, estávamos ambos participando de um jogo que por sorte terminaria com nós dois sem aquela roupa de banho. Os dedos roçaram a lateral do meu peito, aquele carinho tão leve que faz todos os pelos se ouriçar, soltei um gemido de aprovação e ele se sentiu livre para explorar melhor a carne macia e marcada pelo sol. O meio-dia se foi despercebido. Como estávamos debaixo da sombra de uma árvore, a certeza de que a visão dos nossos corpos não era clara para os outros nos deixou mais soltos para continuar. Agora, ambos com a respiração curta, mergulhamos naquele jogo pré-sexual. Meus olhos continuavam cerrados, fantasiavam mais aquele cenário paradisíaco com aquele deus de ébano que agora estava sentado nas minhas costas.

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Entre espalhar e massagear ele fazia movimentos com a cintura, o que me deixava  ter consciência do quanto aquela massagem estava sendo estimulante para ele. Já não era segredo para nenhum de nós que estávamos excitados. Sentia por cima da tanga um volume pressionando em vai-e-vem a minha bunda e enquanto ele respirava fundo eu suspirava cada vez me encaixando mais naquele grande volume. Era quase uma dança sentir aqueles longos dedos deslizando pelo meu cóccix que em um ato desbravador ergueram um lado do tecido e deixaram uma banda de carne exposta. Sussurrava para mim que já não aguentava mais e implorava por um outro lugar para terminarmos a sessão de massagem, eu já não tinha condições também de permanecer ali. Meu biquini havia secado por fora, mas era como se toda a água doce saísse de mim e molhasse ele por dentro, não havia disfarce para meus mamilos implorando pelas mãos e pela boca daquele homem.

De supetão ele levantou, ali de baixo com os peitos soltos a visão do pau duro tentando fugir da sunga era um poema, quase um eclipse que eu podia observar a olho nu. Poderia passar a vida esfregando o meu rosto naquela carne- mais do que isso, tirar aquele pau de dentro daquele pedaço de pano era como abrir aquelas caixas imensas que ganhamos no natal quando crianças, quando sabemos que a expectativa é muito próxima da realidade. Às vezes menor, era esse o meu caso. Ele me puxou, eu segurei os seios soltos. Quase que me conduzindo disse que tinha um lugar ali perto, daquele jeito não tinha como negar. Levantei, balancei a canga que ele fez questão de carregar na frente do pau tentando esconder a ereção.

O plano consistia em ficar próximo ao cais, debaixo das árvores – e assim escondidos, perto das pedras, com vista para o pôr do sol que acabaria ocorrendo em breve, dado o tempo em que ficamos no jogo dos passeios das mãos pelo corpo. Igual criança fui guiada pela mão dele, agora oleosa de protetor. A mão dele conseguia esconder a minha inteira e ainda sobrava, imaginava aquela mão de volta no meu corpo e assim aceitava cada passada até o destino final. Chegamos ao ponto que ele achou ideal, abrimos a canga, sorriu e se sentou primeiro. Eu fiz o mesmo ritual, sentei a seu lado e disse que precisava de um cigarro antes de tudo. Um sorrisinho de canto de lábio e um beijo longo depois, traguei meu cigarro enquanto ele colocava a minha mão para descobrir o tamanho da vontade dele. Grande, grossa e firme como qualquer galho das árvores ao nosso redor, me deixou mais decidida ainda. E como uma ordem, ele me mandou deitar de bruços, a massagem não havia terminado. Agora com a bunda exposta, os dedos estavam dispostos a abrir e fechar cada fenda que achavam.

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Ali entre as minhas pernas, massageando minha coxa e deslizando até minha panturrilha, uma perna era alvo das suas mãos firmes enquanto o pé oposto massageava o pau dele. Não era só a massagem e o tesão que trabalhavam ali, o receio de sermos pegos era um  afrodisíaco que ele usou da melhor forma.

  • Olha, um navio da marinha tá aportado ali. Será que eles sabem que eu tô massageando não só suas pernas? – disse ele sorridente.

Ele falava enquanto afastava com os dedos o lateral do calcinha e me deixava com o sexo exposto, brincando em círculo com os dedos entre pelos. Avançava com os dedos pelo meio dos lábios. Polegar e indicador da mão direita faziam seu papel estimulante e com a mão esquerda a massagem continuava ora subindo, ora descendo pelo meu corpo já entregue. Eu segurava o gemido porque quando menos esperava avistava alguém vindo em nossa direção e ele por diversão acelerava a estimulação. Cheguei ao ápice enquanto dois oficiais da marinha desembarcaram para fazer cooper, era como se ele tivesse sincronizado a velocidade com a deles. Sem muita chance de resistir, gozei em sua mão, deixando o resto do corpo mole, leve e pronto para ser moldado.

O sol estava se pondo, já havia perdido a noção das horas mas ele não estava satisfeito. Se deitou ao meu lado e me beijou, me oferecendo o pau para brincar. Enchi a mão, não havia me deliciado ainda com aquele membro e já não me importava se alguém nos veria ali. Massageei o pau de cima para baixo, brinquei com as bolas que, tensas, imploravam para que aliviássemos sua dor.

Com vista para a água, sentei em suas coxas, encaixando nossos corpos. O dia inteiro de provocações nos fez despertar o lado mais animal de cada um, enquanto rebolava no vai-e-vem dos quadris, ele apertava meu corpo como se fosse massa de modelar, minhas unhas afundavam sem dó em seus ombros.

Finalmente meus seios estavam em sua boca e ele se esforçava para devorá-los, não sobrava nenhum pedaço de pele, mamilo, suor que não estivessem lambuzados de saliva. O sol se pôs, nós gozamos. Deitamos mais um pouco na canga, corações acelerados em uníssono, a sunga e o biquíni sujos, o peito arfando e o cheiro maravilhoso de sexo. Mais um encontro com o boto.

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