Como pesquisas ajudam a melhorar sua vida sexual

Como pesquisas ajudam a melhorar sua vida sexual
Conheça nomes da ciência do sexo e saiba como contribuir para a difusão do conhecimento

O negacionismo, ou seja, a atitude de contestar fatos já comprovados, vem ganhando força e tornando mais difícil a vida de quem produz e consome conhecimento científico. Essa tendência, que prejudica todas as áreas de estudo, também pode afetar nossas vidas sexuais. Algumas teorias da conspiração sobre educação sexual, que antes ficavam restritas a pequenos grupos de discussão, ganharam voz — inclusive nos discursos de figuras públicas e chefes de Estado.

As mentiras e a falta de acesso a fatos científicos colocam em risco nossa liberdade sexual. O tema já é envolto em tabus, proibições e muito (mas muito) preconceito, principalmente diante das nuances da sexualidade humana que fogem do que é considerado normal. Precisamos lembrar que o sexo é fascinante justamente por ser diverso — neste ponto é que entra a importância das pesquisas e estudos sobre sexualidade. Ver o comportamento sexual em números é uma forma de defender essa diversidade, além de ser uma ferramenta poderosa para revelar que não estamos sozinhos nos dilemas sexuais que enfrentamos.

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Um dos nomes pioneiros na divulgação da ciência sexual foi Alfred Kinsey (1894-1956), pesquisador estadunidense que mapeou as diferentes orientações sexuais da população. Ele catalogou informações minuciosas da intimidade de pelo menos 18 mil pessoas. Apesar de seus métodos serem alvo de algumas críticas, Kinsey foi crucial para consolidar a ideia de que conceitos como homo e hétero não refletem a realidade de boa parte das pessoas. A escala Kinsey é até hoje usada para mostrar os variados graus de preferência nos quais podemos nos situar (inclusive podendo mudar de classificação ao longo da vida).

Tão importante quanto entender que as orientações sexuais variam, é saber que fantasias e fetiches podem ser mais comuns do que imaginamos. Um estudo de 2018 do pesquisador Justin Lehmiller, intitulado Tell Me What You Want, foi feito com mais de 4 mil pessoas e mostrou que 89% dos participantes gostariam de realizar sexo a três. Fantasias sexuais relacionadas a BDSM e sexo em lugares públicos também foram bastante mencionadas na pesquisa.

No Brasil, a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo é a responsável por alguns dos maiores levantamentos sobre sexualidade. Em seu livro Descobrimento Sexual do Brasil, ela mostra o resultado de um estudo realizado com mais de 7 mil pessoas no começo dos anos 2000. Outras duas grandes pesquisas, a Mosaico Brasil e a Mosaico 2.0, atualizaram esse painel. Esta última, feita em 2016, mostrou que subiu de 43% para 57% o número de mulheres que fazem sexo sem a necessidade de envolvimento amoroso. Isto é, mais da metade das mulheres já não correspondem ao mito de que nosso tesão surge apenas dentro de relacionamentos sólidos.

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Como entusiastas da liberdade sexual temos a responsabilidade de contribuir com a ciência do sexo. Uma das formas de participar é divulgando e respondendo pesquisas. Uma das iniciativas mais recentes em andamento no Brasil é da Rati Educação, uma plataforma de ensino sexual que oferece cursos online. A proposta do levantamento é descobrir quem o brasileiro é sexualmente, com perguntas que vão fundo em aspectos como hábitos de masturbação e fantasias sexuais. O questionário é totalmente anônimo e pode ser acessado ​aqui​.

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