As feridas do desrespeito no Swing

Mulher com as mãos no rosto demonstrando aflição
Photo by Kat Jayne from Pexels

Você já ouviu e leu casos de desrespeito no swing, mas esse provavelmente irá chocar até os mais experientes no universo liberal. Não se trata do que é possível ou não acontecer no meio liberal, porque isso sabemos ser um fato; corremos riscos e temos que estar preparados para agir e pronto para as consequências deles. Esse texto de hoje é um alerta sobre o que o desrespeito no meio liberal pode causar.

Conheci um casal super bem resolvido; filhos crescidos e profissional estabilizado. Juntos embarcaram no meio liberal e se permitiram viver as mais deliciosas aventuras. Superaram medo, timidez, baixa auto estima, ciúmes e se tornaram plenos em seu matrimônio, vida social e meio liberal; tudo fluía naturalmente bem como deve ser. Eles são o tipo de casal mais bem resolvido que eu já conheci. Instruídos, bom nível cultural e social e muito felizes. Chamarei ela de Sra. B, de Belíssima e ele de Sr. V de Verdadeiro.

Em uma noite liberal eles curtiam a todo o vapor. Danças, risadas e bebidas; ela um pouco mais que ele, e ele sempre atento a ela. Se permitiram viver o que todos nós já experientes no meio liberal já nos permitimos. Nós realmente vamos em casas de swing e festas, conversas à parte, para realizar nossas boas fantasias sexuais, que é o que nos trouxe ao universo liberal. Passado algumas horas de diversão ela embarcava em uma brincadeira com outra esposa. Beijos, amassos e desejo. Eis que entra um casal; Sra. B não é uma pessoal exigente: ela é humana, empática e sabe que todos tem atributos. Apesar de não ter tido a intenção de interagir inicialmente com esse casal, ela como sempre, se mostrou disposta a se entregar, até então, para um casal que ela julgava ser como ela e o Sr. V. Respeitosos, acolhedores e amáveis.

Durante um primeiro toque mais forte do que deveria, pensou ela: -talvez seja força demais ou sensibilidade de menos. Mais contato, mais aproximação e finalmente a penetração aconteceu. Sr. V apenas observava, sempre preocupado com o bem estar da Sra. B. Os drinques à mais não caíram muito bem para ela pois a deixou mais tolerante; nada que não fizesse ela deixar de entender o que estava acontecendo. Ela sabia muito bem cada passo que dava.

O sexo terminou, logo em seguida um bom banho quente e a noite continuou.

Sra. B e Sr. V foram para a casa felizes, sem neuras e sem debates como muitos casais liberais tem o costume de fazer. A rotina seguia normal; aquela parceria de todo dia…

Tudo nos conformes, exceto pelo fato de talvez ela ter pego alguma friagem: – será o ar condicionado? Que mal estar estranho, pensava ela. Depois uma leve febre, alguns calafrios e então começou as dores pélvicas e abdominais. Logo o medo começou a bater, afinal, tem uma família pra cuidar e uma carreira bem sucedida pra levar adiante. No terceiro dia daquela “virose” estranha, sem poder quase levantar, decidiu voltar mais uma vez ao hospital, o que deixou confuso os médicos, que não conseguiam entender os sintomas. Já não era mais uma virose; isso sim é preocupante.

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Exames feitos, detectado uma infecção no corpo. De onde? Porque?

Ultrassom…

– Sra. B, precisamos fazer um exame de toque, falou o médico.

Ela com dores e medo autorizou.

O médico olha, sente, puxa. Transtornado olha pra ela. Ela em pânico retribui o olhar.

– Não sei como lhe dizer. Dentro de você está um preservativo usado… Esse é o motivo da infecção.

Um silêncio na sala. Sua cabeça girava com um misto de tontura e náusea. A vergonha desse fato roubavam-lhe as palavras.

Procedimento concluído, mas ela em silêncio, choque e confusão, viu seus pensamentos assombrarem sua alma naquela tarde fria. Enquanto os médicos falavam ela lembrava dos detalhes da noite: ele parecia ter tirado o preservativo e ido direto ao banho. O Sr. V estava lá. Também viu! – Meu Deus, o Sr. V. O que meu marido vai pensar de mim? Como eu pude fazer isso comigo? Com ele; conosco!

Infelizmente eu, Camila, não estava lá pra dizer que não foi ela que fez isso. Foi o desrespeito de alguém que não merece respeito.

E agora? Era um casal, era de bom nível cultural e social, mas e se ela foi exposta a alguma doença? O prazo já havia atingido o limite para uma bomba de coquetel anti DST. O medo lhe assombrou a alma, sua história, e tudo o que representa de bom em sua vida.

Foram tempos nebulosos que ela carregou sozinha, enquanto os exames não ficavam prontos. Com muita vergonha e dificuldade contou ao Sr. V tudo o que aconteceu, que chorou junto com sua parceira dizendo: – Nós fizemos isso, pois eu estava junto com você… Eu sempre estarei com você!

Ela estava destruída emocionalmente e fisicamente por essa violência gratuita e desnecessária que a submeteram passar.

O tempo passou, e um a um, os exames foram sendo abertos. Negativo, Negativo, Negativo, Não Reagente, Negativo… A cada exame um alívio na alma e um peso a menos no coração. As esperanças iam se renovando.

Até que…

Gonadotrofina coriônica humana – Reagente.

O papel do exame caiu de sua mão. Ela olhou para a janela do Edifício, olhou para o céu, olhou até para o inferno. A sala comprimia seus ossos. O cheiro daquele lugar era assustador.

Ela estava grávida!

Sr. V já é infértil por muitos anos. Filhos crescidos que hoje constroem suas próprias histórias. Como ela explicaria? Como ele reagiria? Como ela seria vista por todos ao seu redor? Como viver com isso?

Entendam. Ela já tinha cumprido seu dever com louvor como mãe. Justo ela, uma super mãe!

Destruída de todas as formas, ela contou ao seu marido o que aconteceu. Ele se desesperou, não pelo fato em si, mas pela dor que sua amada sentia, e então ele se responsabilizou por isso. Ele foi o homem que a maioria deveria ser para sua mulher. Ficou firme apoiando sua querida e juntos começaram buscar uma solução. Ela interrompeu a gestação que estava bem no início; mais dores físicas e emocionais para suportar!

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A sociedade com certeza julga a mulher. Mas onde estava o respeito desse homem, pelo corpo que ele adentrava. Como é possível não perceber que durante a penetração, o preservativo saiu e que ele empurrava o material cada vez mais fundo para dentro dela, a ponto de nem ela sentir o incômodo depois. Nós mulheres, sabemos que um OB bem encaixado é liberdade; um preservativo é muito menor e mais flexível que um absorvente interno.

Tudo poderia ter sido evitado. O combo de anti DST, a infecção, os medos, a humilhação, e a violência de ter que fazer algo que nunca, ela como mãe e mulher, faria em toda sua vida! Uma pílula do dia seguinte e um coquetel menos agressivo. Uma conversa e um pedido de desculpas no momento, afinal, é possível! Sabemos que é possível. Pode acontecer…

Pegar em sua mão e dizer: -Escapou o preservativo e eu não estou achando. Veja se pode ter ficado dentro de você. Fique tranquila… Tenho meus exames em dia. Aproveite e tome uma pílula do dia seguinte para evitar qualquer gravidez indesejável.

Aquele homem simplesmente se levantou, como tendo se deitado sobre um tapete sem valor. Desrespeitou aquele corpo amado pelo Sr. V durante todos esses anos de dedicação. Desrespeitou o corpo que alimentou seus filhos em todas suas gestações. Desrespeitou a história e a memória dessa família que poderia ter se acabado pelo processo de infecção ou pelo aborto que ela foi obrigada fazer. Ele simplesmente a matou pois além de segurar a “arma” ele puxou o “gatilho” com sua omissão e o seu desrespeito. Ele seria o responsável por isso se acontecesse algo ainda pior a ela. Não consigo não vê-lo como “assassino”.

Mas ela é a Sra. B. “B” de Belíssima, e o universo gosta muito dela. Esse amor que eles sentem um pelo outro não é para qualquer um!

Tudo passa… menos as feridas do desrespeito no swing e em tudo o que vivemos nessa vida.

Aquela cicatriz vai existir eternamente.

Ela é a Sra. B, e ele o Sr. V

Com certeza juntos irão se curar, pois além deles, tem á nós. Tem a mim!

Mas de quantas curas ainda todos nós vamos precisar?

O Texto de hoje é para você que não se importa com os outros. É pra você que desrespeita uma vida, e é pra você que sente vergonha em cobrar explicações no swing.

 Cobre. Pergunte. Exija sexo seguro! É seu direito imutável!

É a sua vida e a sua história que não pode de forma nenhuma acabar!

Swing é amor, liberdade, consenso, cumplicidade, mas principalmente respeito.

Que estejamos caminhando para a luz… e que dias tenebrosos como esses, deixem de existir.

Sra. B e Sr. V, parabéns pela cumplicidade. Vocês superaram uma barreira quase intransponível, que poucos conseguiriam faze-lo juntos…

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