Amor, Paixão e Química

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As melhores transas da minha vida, confesso, foram totalmente desprovidas de amor ou paixão. Sexo com paixão é surreal. Aquele frio na barriga, aquela intensidade no toque, aquela urgência em devorar a outra pessoa.

Sexo com amorzinho também é bom. É maravilhoso. Parece que cada gesto tem um profundo significado. Quando experimentei, acreditei ser a melhor coisa do mundo, que nenhum outro sexo era tão bom sem amor. Coisa de iniciante, manja?

Agora, sexo com química, apenas com a pura  e boa química dos corpos… ah ‘rapá’, aí é outro nível. A ligação supera qualquer sentimento envolvido, em minha humilde opinião. Acredito que é desta maneira porque não há urgência nem interesse de se definir aquela relação. Não há o peso do que o outro está pensando, não há o peso da insegurança.

Eu amei poucas mulheres em minha vida. Estive apaixonada por várias. Mas química pura assim, só tive com uma. A gente dava choque. Nenhum amor até hoje superou, e quer saber, acho que nem vai. A gente fica naquela obrigação de que o melhor sexo tem que ser com quem a gente ama, que tem que ser com quem você está apaixonada e na real, não tem que ser nada. Com amor ou sem amor, sexo tem obrigação de ser bom, gostoso para os envolvidos. E principalmente, tem que ser consentido. O resto é historinha.

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Essa mina pura química com quem transei era demais. Lembro de ficar mal por sequer conseguir me apaixonar por ela. Simplesmente eu não entendia como a gente podia se entender tão bem na cama sabendo tão pouco uma da outra e sem qualquer envolvimento emocional. Passava dias me perguntando o porquê.

Certo dia, por puro peso de consciência, acreditei que deveria pedí-la em namoro, só pra gente ter um título. Mas a matéria não era redação. Nem ciências sociais. Nossos corpos se entendiam, se queriam… eram eles (nossos corpos) que estavam transando como se conhecessem há seculos, livres de qualquer conceito, pré-conceito e rotulações. Na real, nossos corações não estavam nem aí um para o outro. E por que deveriam?

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Aceita que dói menos, não é isso o que dizem? Pois bem. Aceitei. Foi difícil não me culpar ou me sentir escrota. Lembro da gente conversar na beira da praia se tinha algo de errado com a gente. Nos questionávamos sobre isso, pensando que deveríamos desenvolver um interesse mútuo por outras atividades na vida uma da outra, sabe né, pra gente tentar se encaixar no protocolo social. Tsi, tsi, tsi.

Fomos jantar fora, fui conhecer a casa dela, ver Netflix no escuro, essas coisas. Mas tudo era chato demais, poderíamos, sei lá, estar transando. Foi aí que caímos na real. Nosso rolo não era romance, muito menos convencional. Era Química, esta era a nossa disciplina oficial e estávamos mandando muito bem. Nosso rolo não nasceu para ter o calor da paixão, embora tivesse ponto de fusão e ebulição. Não nasceu para ter o peso do amor, qualquer possibilidade de amor evaporava ao calor dos nossos corpos. Era para ser o puro e belo sexo, desnudo e sem grandes significados.

Sem mais delongas,

Juliana R. S. Duarte.

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