Amizade de mulher

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Eu lembro exatamente do momento e da sensação que tive a primeira vez que eu entendi que nós, mulheres, fomos criadas para sermos inimigas. Somos programadas a competir umas com as outras, a nos compararmos, a julgar, a querer ser melhor que a outra. É isso que fomos ensinadas desde que nos entendemos por gente. O sentimento de que eu não era uma pessoa horrível, que esses impulsos nos eram bombardeados por agentes externos e que muitas outras mulheres sentiam-se assim mudou a minha vida.

Eu era aquela jovem que vivia entre homens, tinha muito mais amigos homens porque, como gostava de dizer ” mulher é muito complicada, fica fazendo fofoca, intriga, cheia de mimimi, prefiro ser amiga dos meninos”. Colocando as outras mulheres como “chatas”, “fofoqueiras”, etc, eu pensava que me distanciava de todas essas características. Eu achava realmente que era respeitada, que por andar com eles eu conseguiria ter o prestígio que os homens tinham quando falavam de alguma coisa ou expressavam uma opinião. Eu era considerada, pois, afinal, não era como “as outras”.

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Ahhhh gente.
A ilusão né?

Não existem as outras. As outras somos todas nós.

Maria Ribeiro – Nós Madalenas

Encontrar mulheres que estão nesse movimento de reencontro, de empoderamento e de empatia foi um marco na minha vida. A amizade verdadeira entre mulheres é uma das melhores coisas que há entre céu e terra. Ninguém entende uma mulher como outra mulher. Na hora do vamos ver mesmo, somos nós por nós. E como somos! Estamos nos juntando pra aprender, pra criar, pra fazer arte, escrever, filmar, fotografar, revolucionar. Os movimentos sociais e artísticos feitos por e com mulheres são a verdadeira resistência, são os conteúdos e os processos legitimamente revolucionários existentes em sociedade.

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Cada lugar que eu chego tenho tido a boa ventura de encontrar mulheres absolutamente maravilhosas. Hoje em dia tenho o maior orgulho de afirmar que a maior parte das minhas amizades é com mulheres. E mulheres incríveis, maravilhosas, só uns mulherão da porra! E como isso é bonito, como esses afetos são genuínos, é um sentimento de voltar ao lar.

Resgatar esses elos entre mulheres é, literalmente, a revolução. O lema do patriarcado é mais velho que os tempos: desunir para enfraquecer.
O oposto é igualmente verdadeiro: quando nos unimos, ficamos cada vez mais empoderadas, mais confiantes, mais capazes.

E isso, minha gente, é um perigo para o patriarcado.
A revolução, manas, já está sendo feminista.
E nós estamos criando isso juntas!

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