10 coisas constrangedoras que eu também já passei na hora do sexo

Na hora H sempre acontecem coisas que nos deixam envergonhadas e não deveriam

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Em outubro do ano passado, a atriz Alyssa Milano iniciou o movimento/campanha online da hashtag #metoo, tradução livre de “eu também”.  Isso foi depois do episódio onde muitas atrizes da cena Hollywoodiana se juntaram para denunciar o produtor (famosão!) Harvey Weinstein por diversas situações de assédio, abuso e até estupro.

O produtor felizmente caiu. Tivemos –enquanto mulheres– nossa voz amplificada na mídia internacional. Foi daí veio o convite de Milano para todas as mulheres ao redor do mundo relatarem, por meio da hashtag #metoo, situações de assédio e abuso que já passaram.  

Mas, por que eu tô relembrando essa história, aqui e agora, quase seis meses depois do ocorrido? Um: porque alertar sobre machismo nunca é demais. Dois: porque algumas situações que passamos na hora do sexo, que não são assédio, mas são constrangedoras e não deveriam ser. E isso ocorre, principalmente, por termos desde sempre nossa sexualidade abafada.

Nesse post eu conto 10 situações que aconteceram (e ainda acontecem) comigo e eu tenho certeza que já aconteceu com você também.

1.Punzinho vaginal: quem nunca?

O movimento de entrar e sair. Sim, é a pressão que faz esse barulhinho acontecer. E aí, só eu e o @deus sabe a vergonha (e vontade de ir embora correndo) que eu senti tantas e tantas vezes por rolar esse barulhinho bem na hora. Barulhinho este que: não atrapalha, não fede, não diminui o prazer, ou seja, inofensivo de tudo. Engraçado é perceber que eu também me sentia culpada, além de constrangida sabe? Do tipo “porque eu tô fazendo esse barulho” sendo que, é um barulho que ocorre também por causa da penetração, logo é “responsa” de todos os envolvidos.

2. Fast-food: a pressão de gozar rápido

O orgasmo feminino por si só é um tabu, né? Renderia um textão só para este assunto. Mas, a questão é que: atire a primeira pedra aquela que nunca ficou tensíssima por ele (ou ela) estar de boca lá, maior tempão, e nada de você gozar? Mesmo que você estivesse curtindo, sentindo o maior prazer do mundo… Mas nada de gozar. E aí você fica tensa, preocupada, se achando um estorvo? Pois é! Eu também já senti isso.

Que brisa errada, né miga? Esse é um momento a dois, de troca, de dedicação mútua (deveria, pelo menos) e cada um no seu timing. Não deveria ser constrangedor “demorar” pra gozar (não deveria nem ser uma questão esse lance de ‘tempo ideal para gozar’) e você não deveria se sentir um estorvo. Essa sensação é potencializada porque homens – especialmente – são pouco estimulados a se dedicar no prazer da mulher. Eles são expostos a uma indústria pornô onde mulheres gozam em um toque, porém, na realidade em que o mundo vive é bem diferente. Respeite o seu corpo, o seu tempo, e curte o momento.

3. Fingir um orgasmo, um clássico

Uma pesquisa da USP indicou que 50% das mulheres brasileiras não tem orgasmo em suas relações sexuais (!!!!): ME-TA-DE. Os motivos são variados e não podemos generalizar. Mas o fator principal é que mulheres são acostumadas a dar prazer e não receber. Logo, quando o parceiro goza – geralmente antes – nós ficamos constrangidas em dizer “Ei, tô por aqui ainda” e a transa tende a acabar. Ok que a penetração fica, de fato, impedida. Mas há mil jeitos de usar a boca, né? E cabe também a nós não fingir que gozamos. O seu prazer é igualmente importante ao do seu parceiro.

4. Gemer mais do que está afim

E se sentir ridícula por fazer isso!!!! Eu já fiz isso e não foram poucas vezes não, viu? Claro, isso rolava mais no comecinho da minha vida sexual. Eu achava que isso era sinônimo de tesão, de ser sexy. Por terra, né? Se você curte gemer muito, massa. Se você não curte, massa também. Questão é que, não podemos nos validar sexualmente poderosas baseadas nessas representações bizarras da indústria pornô, né? Então, como já dito: respeite as suas vontades. Se tiver a fim de acordar o bairro: top. Se preferir sussurrar-no-ouvidinho, top também.

5. Sentir dor

Não é bacana sentir dor. Não tô falando de práticas de BDSM, SM e por aí vai. Tô falando de sentir desconforto com penetração, posições, ações do ato e não falar por sentir vergonha. Às vezes tá doendo, mas o parceiro está super na vibe e você fica constrangida e dizer pra ele ir mais devagar ou mudar de posição, sabe? Eu já passei por isso, e às vezes ainda me pego fazendo isso. É quando eu paro e penso: “Ops! Meu prazer é tão importante quanto o dele, vamos mudar de posição agora.” Sentir dor não é para ser naturalizado.

6. Não gozar porque ele já gozou

Repetindo o item três: o seu prazer é igualmente importante ao do parceiro. E se a transa rolou e você ainda está super a fim de continuar, continue! Pausa dez. Uns beijinhos no pescoço pra engrenar de novo e segue o baile. Seu orgasmo é sim sua prioridade, e isso não precisa ser constrangedor.

7. Se masturbar

Sim! Sentir vergonha de se masturbar na vida, e, especialmente sentir vergonha de se masturbar na frente do parceiro, no momento da transa. Se masturbar é um caminho sem volta, ou deveria. Algumas mulheres curtem muito e outras que nem tanto. Mas a questão é que em nenhuma das situações há motivo para constrangimento, certo? É seu corpo. Uma relação tão íntima como com ninguém mais. É um momento de se tocar, se cuidar e se dar ao prazer. E isso pode ser massa na hora da transa, pra aqueles momentos que o parceiro já gozou ou pra apimentar o clima. Mas na real, rola uma tensão, né? Se o cara vai descobrir que você faz esse tipo de coisa, aí-meu-deus-flagrada. Isso mesmo: flagrada cuidando de si e conhecendo exatamente o que te faz mais feliz.

8. Ppk feia? Nunca vi, nem ouvi, eu só ouço falar

A parada é tão absurda que existe até cirurgia plástica especializada. E muitas mulheres (mais do que eu imaginava) ficam constrangidas em receber sexo oral, transar de luz acesa, ou fazer determinadas posições por acharem que sua ppk não é esteticamente atraente. É mole? Pensar o quão agressivo e invasivo são os padrões de beleza (para mulheres, é claro). E isso não deveria ser constrangedor, tão pouco um limitante na hora do nosso prazer. É seu corpinho, só seu. Ame-o <3

9. Hoje eu não tô a fim

É o estereótipo do “hoje eu tô com dor de cabeça”. Voltamos ao ponto de que naturalizamos o fato de sermos feitas para dar prazer: sempre, não importa o que aconteça. Isso faz com que, muitas e muitas vezes, nós transemos mesmo não estando a fim. Só para não decepcionar (motivo leve, visto os números espantosos de violência doméstica e estupro em relacionamentos consensuais) o parceiro. Sei que pode não ser simples, mas precisamos começar: Não é não. E não é só pra assédio, tá? Quando você não tá a fim, também é não.

10. Transar menstruada

É sabido que, em tempos de menstruação, podemos ficar mais excitadas, né? Paradoxo a isso é exatamente nesse período que adiamos todas as nossas transas. Porque suja, porque é vermelho, porque enfim… Muitos motivos. Tudo bem que umas não se sentem confortáveis, genuinamente. Mas, muitas de nós abafamos esse desejo apenas pelo constrangimento de sujar ou do parceiro ver que, oras, você menstrua. Sendo que isso é orgânico, natural e acontece com mulheres desde os tempos da caverna. Não deveria ser constrangedor simplesmente pelo fato de você decepcionar o parceiro com tamanha sujeira.

comentários

  1. maravilhoso esse texto, afinal, quem nunca?

  2. Adorei. Infelizmente ainda tem muitos tabus. Texto bem original, leitura gostosa e sem muito de longa.

  3. Punzinho ? normal. Fast food ? Besteira, nada de pressa.Fingir orgasmo ? Horrível. Quem ganha com isso ? Gemer mais do que tá afim ? Horrível, quer gemer gema. Não quer ? Não gema, apenas feche os olhinhos. Sentir dor ? Não, pare e informe. A não ser SM, um tapinha na hora e na intensidade certa é sucesso. 6 - tem de gozar. 7 - Se masturbar. Quando olhei ela tava na beirada da cama me olhando ajoelhada e se tocando, acho d+ 8 - Nada a vê, grilo de mulher. 9 - Hoje, não tô a fim.Isso é chato.Tem de respeitar, mas é chato e frustrante. Desmonta a gente.10 - Transar menstruada. Sem problema, bem escorregadio. Que que eu tô fazendo aqui ? Sei lá !

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